Brasil, 13 de Dezembro de 2019

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Revolução dos dados: o dilema das empresas na adoção de novas tecnologias

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Por *Ricardo Salama, Head de Vendas de Consultoria e Serviços Profissionais do SAS Brasil

Por que empresas idênticas têm resultados diametralmente opostos na adoção de novas tecnologias? Esse é o ponto em que muitas corporações se deparam quando encaram o tema da inovação. Recentemente, assisti ao documentário "Três Estranhos Idênticos", que é muito comovente, porém elucidativo de dilemas que muitas companhias enfrentam hoje ao pensarem em como embarcar na nova revolução de dados e na Inteligência Artificial.

Na obra, três gêmeos idênticos são separados no nascimento e submetidos, involuntariamente, a um experimento científico. Cada bebê é adotado por famílias em contextos socioeconômicos diferentes, porém vivendo dentro de um raio de 150km de distância. Aos 19 anos, acidentalmente os mesmos se encontram. A questão central do filme é "nurture ou nature". Ou seja, sendo o DNA (ou ferramentas) dos trigêmeos o mesmo, qual é o resultado e a estrutura de cada um ao longo da vida? No filme, o destino dos três é completamente diferente.

Atualmente, a inteligência artificial e a incansável exploração dos dados, buscada por tantas empresas, vivem uma situação igualmente paradoxal. Por um lado, há um investimento muito contundente em ferramentas capazes de entregar com destreza e flexibilidade todas as etapas de um ciclo analítico - que vai desde a coleta e a preparação de modelagem, até a implementação em produção dos dados. Segundo um estudo encomendado à Forbes Insights pelo SAS, 72% dos executivos de grandes empresas têm alguma iniciativa em inteligência artificial.

Por outro lado, mesmo com grandes investimentos realizados por essas empresas, este mesmo levantamento apontou que apenas 50% das iniciativas foram consideradas exitosas. Mas, afinal, por que duas corporações com ferramentas igualmente poderosas, a exemplo dos gêmeos idênticos, podem ter resultados tão diferentes? Quais são os principais fatores que geram tais diferenças?

Em primeiro lugar, a estrutura e o entorno em que cada gêmeo cresceu fez toda a diferença em seus destinos. De modo igual, empresas que já nasceram em ambientes digitais, e que conseguiram se transformar mais rapidamente, tendem a estar muito mais preparadas. Empresas como Google, Facebook ou Amazon, que já são digitalmente nativas e que fazem o uso intensivo de inteligência artificial, servem como bons exemplos. Quando você recebe a melhor recomendação de uma compra ou quando você faz uma busca na internet, vemos um uso intenso e inteligente dos dados disponíveis, em algoritmos bastante sofisticados.

Um segundo fator imprescindível se dá na estrutura de governança e de processos bem claros. Isso garante uma exploração bem executada das ferramentas e dos dados. No documentário, os gêmeos que viviam em famílias desestruturadas como, por exemplo, com pais sob dependência alcoólica ou que não impunham limites, geraram finais mais infelizes. O que mais observamos em grandes empresas são enormes data lakes, porém tão desorganizados e anárquicos que fazem a exploração das informações de forma emaranhada e complexa. As empresas estão voltadas à coleta cada vez maior de dados, entretanto com uma preocupação menor em como explorar os seus conteúdos.

Por fim, a formação e a educação dos gêmeos também fez toda a diferença para seus futuros. Famílias muito distantes, que não puderam dar uma educação com mais "calor" e proximidade, geraram problemas muito críticos e com finais surpreendentes. As indústrias que não conseguirem atrair e formar talentosos cientistas ou exploradores de dados também sofrerão. De acordo com o relatório Linkedin Workforce Report, só nos Estados Unidos há um déficit de 155 mil cientistas de dados. Neste cenário, atrair e reter talentos é um fator preponderante.

Mas, então, o que fazer para cobrir tantos temas complexos e entrar no desafio da Inteligência Artificial? Investir em ferramentas (nature) ou na forma de utilização das mesmas (nurture)? Na verdade, não se trata de uma escolha. É imprescindível que a empresa escolha adequadamente as ferramentas, os processos e as pessoas para cada estágio em que a mesma se encontre. O processo de "nurture ou nature", nesse conceito, são totalmente complementares.

Não se trata mais de saber quando, mas como cada empresa entrará nesse mundo. A nova revolução 4.0, dos algoritmos e da IA, já está a todo vapor. No documentário comentado, os gêmeos quando se reencontraram, achavam-se iguais não só fisicamente, mas psicologicamente e em comportamento também. Entretanto, o mundo os fez muito diferentes. As empresas querem todas se equiparar às grandes entrantes digitais, mas nem todas chegarão. Neste mundo da inteligência artificial não importa mais só quem você é (nature), mas como você consegue ter a disciplina e o foco para conquistar um ambiente ágil e seguro, com uma governança/estrutura e que atraia e forme as melhores pessoas. Essas serão as empresas do futuro.

*Ricardo Salama - Head of Sales, SAS América Latina

Ricardo Salama é formado em Administração de Empresas pela Fundação Getulio Vargas, com MBA pela IESE. Tem ampla experiência na indústria de tecnologia, com foco na área de vendas de soluções Analytics. Ao longo de sua carreira, atuou em empresas como Microsoft, Telefônica Vivo e Johnson & Johnson. Atua na SAS desde 2016.


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