Brasil, 17 de Junho de 2019

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É preciso cuidar da saúde mental dos adolescentes e dos professores!

A neuropsicóloga Adriana Fóz, Diretora Clínica da Unidade Integrativa Santa Mônica e da Neuroconecte, aborda a questão da saúde emocional e mental dos adolescentes. Nesta quarta-feira, dois jovens, de 17 e 25 anos, ex-alunos da escola estadual Raul Brasil, em Suzano, na Grande São Paulo, e atiraram em adolescentes de 15 e 16 anos e funcionários da escola.

"Para Adriana Foz, na adolescência é que o cérebro está finalizando uma área chamada pré-frontal, responsável por algumas funções, tal como o controle dos impulsos. Dentro desse processo, existe a potência para coisas boas e fragilidades. Nessas fragilidades podem começar a se desenvolver alguns dos distúrbios psiquiátricos, que são potencializados pelo uso de substancias toxicas, estresse e fatores genéticos/hereditários."

"Primeiro seria importante reforçar que o cérebro do adolescente está em uma fase extremamente ágil e de mudanças muito importantes. Os mais recentes estudos sobre neurociência apontam que o período da adolescência é uma fase de mudanças estruturais e neurocognitivas, é um segundo big bang sináptico. São mudanças fisiológicas, psicológicas, neurológicas inerentes a esta fase etária. Por isso família e escola precisam, cada qual com seu papel, estarem atentas às mudanças no comportamento destes jovens. 'Escola e família são ambientes que se complementam', diz neuropsicóloga."

É possível explicar os comportamentos dos adolescentes por meio de pelo menos duas regiões cerebrais, que estão mais em evidência nesta fase etária. Uma delas, que faz parte do sistema límbico - região responsável pelas emoções dentre outros - é a que inclui a tal da amígdala. A outra região é chamada de região pré-frontal.

A primeira área é onde se processam as emoções, tal como a raiva e a tristeza. Uma outra região, articulada às emoções, se dá o sentimento da recompensa. É interessante que durante a adolescência a busca desenfreada pelo prazer é sempre prioritária para eles, pois o pré-frontal ainda não conta com todos os recursos de autocontrole. Já o pré-frontal, região que só termina de amadurecer por volta dos 30 anos, é onde se processa o controle mais racional de impulsos (breque frente aos riscos), a flexibilidade mental, motivação, tomadas de decisões (escolhas) e as adições. Como esta área ainda não está pronta, ela fica mais ávida por buscar excitação e novidades em detrimento de se controlar diante de algo que foi ponderado. Isto quem faz é o cérebro de um adulto. Esta área num adolescente é como uma empresa cujo presidente está sempre em férias, só curtindo e buscando prazer.

Os adolescentes possuem potências positivas para o aprendizado e para as coisas boas e, existem também para as fragilidades, e são essas fragilidades que podem comprometer os aspectos neuropsicológicos, da saúde mental.

A prevenção dos problemas de saúde mental, precisa ser levada a sério! O cuidado com a aprendizagem socioemocional, com o comportamento e com a forma como os adolescentes sentem e pensam é muito importante para poder ajudá-los a "crescerem" de forma mais saudável possível.

Se as grandes preocupações da adolescência é apenas um fenômeno moderno, creio que os pais e especialistas que lidam com o desafio adolescente concordarão que é preciso ter orientações adequadas e voltadas para a sua educação nos dias de hoje.

O papel da escola em cuidar da saúde emocional e mental de crianças e adolescentes vem ganhando espaço, deixando claro que professores não são psicólogos e que escola não é consultório. Mas a saúde da mente do adolescente e o preparo do professor para lidar com esta demanda, tem que ser discutida. Por muito tempo a escola ficou focada nos aspectos da cognição, mas hoje existe a necessidade de se trabalhar as habilidades socioemocionais dos alunos e professores.

A violência doméstica e externa, o bullying, e outras questões, estão ligadas ao aspecto socioemocional dos jovens e de suas famílias e, dependendo do estimulo que eles tenham, poderão trilhar um caminho menos saudável. Por isso, cuidar da saúde mental e integral do adolescente é muito importante.

Outra questão é que a escola não substitui a família e nem a família a escola, a família precisa participar da escola e a escola precisa também compreender e acolher as famílias. As pessoas precisam separar o que é educação escolar e educação familiar, cada um tem seu papel, mas que precisam somar suas forças.

O professor não é psicólogo, nem psiquiatra, mas ele conhece o aluno e muitas vezes está com ele a maior parte do tempo, por isso deveria haver uma maior capacitação dos professores e da escola para ter noção do que é esperado para a idade de cada aluno, e saber como conduzir os casos mais complicados, para onde encaminhar. Assim evitaríamos chegar a essa tragédia.

Muitas vezes damos atenção para aquele aluno que faz barulho, mas precisamos também dar atenção aqueles mais quietos que podem ter algum outro problema de base.

Adriana reforça que "seria fundamental as escolas adotarem espaços para rodas de conversas com especialistas que possam promover o diálogo entre adolescentes e professores, sobre os aspectos da atualidade abertamente. Saliento ainda que os professores não tiveram a formação para lidar com esses aspectos vivenciados atualmente e precisam deste apoio", reforça Adriana.

A questão é que a sociedade e a escola estão tão preocupadas com competências cognitivas, com as metas, esquecem de algo intrínseco ao ser humano, que são os aspectos emocionais.

O mediador de conflitos, por exemplo, é uma figura muito importante, porque ele provoca a escuta, chama ambos os lados e ouve o que aconteceu e tenta uma conciliação nos casos, seria muito adequado que as escolas passassem a contar com esse profissional.

No caso da escola estadual, o momento é de escuta e acolhimento para cuidar desse universo emocional, para que os jovens, professores e as famílias, falem o que estão sentindo, mas que voltem suas energias para um lado positivo, para que possam conseguir enfrentar o que vivenciaram.

De 2000 a 2015, os casos de suicídio no Brasil aumentaram 65% entre pessoas com idade entre 10 a 14 anos e 45% entre 15 a 19 anos, mais do que a alta de 40% na média da população.

Por isso, a sociedade precisa eliminar o preconceito de ir a um psiquiatra ou psicólogo e de falar sobre emoções. Muitas vezes os pais ficam na defensiva quando os professores chamam para conversar sobre a conduta ou postura de um filho. Eles precisam estar abertos para ouvir e procurar ajuda com um profissional de saúde mental, a fim de cuidar integralmente do seu filho.

Com informação competente e políticas públicas adequadas é que poderemos enfrentar os problemas atuais pelos quais passa a sociedade contemporânea.

Fonte: Adriana Fóz - neuropsicóloga e Diretora da Unidade Integrativa Santa Mônica e da Neuroconecte

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