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De Recife para o mundo: projeto de expansão internacional do CESAR já representa 8% do faturamento do centro de inovação

A desvalorização do real traz um ganho de competitividade para o Brasil no segmento, mas estamos concorrendo com diversos outros países que também se destacam em tecnologia

A forte desvalorização do real frente ao dólar não tem conseguido, sozinha, sustentar as exportações brasileiras e garantir mais competitividade comercial ao país, cuja matriz de crescimento ainda segue colada da demanda mundial por commodities de baixo valor agregado. Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior, no acumulado de janeiro a julho, as vendas para o exterior encolheram 6,4% frente ao mesmo período do ano passado, ano em que as exportações já haviam registrado queda de 7,5%. Na contramão deste cenário, porém, o mercado de tecnologia tem performado acima da média, trajetória natural de um setor que vive de encontrar soluções na adversidade. E não faltam indicadores que apontam para a urgência do país em investir mais e massivamente em inovação.

O Brasil já é o 7º maior produtor de tecnologia da informação (TI) do mundo - no ranking global, Estados Unidos, China e Japão lideram nas primeiras posições. Levantamento da Brasscom, divulgado em abril deste ano, aponta que as exportações de softwares desenvolvidos por empresas brasileiras cresceram 9,5% em 2019, em comparação ao ano anterior, atingindo R$ 10 bilhões em faturamento. O setor de TI representa 6,8% do Produto Interno Bruto (PIB), o equivalente a R$ 494,7 bilhões, e emprega 1,56 milhão de pessoas atualmente - somente em 2019 gerou mais de 42,3 mil novos postos de trabalho.

O CESAR, um dos maiores centros de inovação e transformação digital do país, sediado no Porto Digital, em Recife, é uma das organizações que vêm se destacando no mercado internacional e reforçou apostas na expansão de seus negócios para além das fronteiras geográficas. Este ano, a companhia buscou novas estratégias de aproximação com empresas dos Estados Unidos e promoveu a gestora de negócios Flávia Nascimento ao cargo de Head of Growth North America. Ela mudou-se para Tampa, na Flórida, com a missão de gerar oportunidades para o CESAR diretamente de matrizes americanas.

Segundo explica Flávia, a estratégia inicial é aproveitar o relacionamento que o CESAR já tem com subsidiárias de companhias norte-americanas no Brasil para chegar até suas sedes nos Estados Unidos e, eventualmente, ingressar em novos negócios com um portfólio já consolidado no exterior. "Apesar de terem sido contratados pelas filiais brasileiras, os projetos que desenvolvemos no passado ganharam visibilidade nas matrizes, o que tem aberto muitas portas para nós", conta. A expectativa é encerrar este ano com R$ 12 milhões com exportação de software para o mercado norte-americano - o equivalente a 8% do faturamento total do CESAR estimado para 2020.

O foco nos Estados Unidos para esta primeira etapa do projeto de internacionalização tem bases sólidas. De acordo com um estudo da Unesco, o país é responsável por um quarto dos investimentos em inovação no mundo todo, o equivalente a US$ 476,5 bilhões.

"O mercado americano é muito grande e promissor, mas também muito exigente. Existe uma prática de importação de software bem estabelecida. Claro que a desvalorização do real traz um ganho de competitividade para o Brasil no segmento, mas estamos concorrendo com diversos outros países que também se destacam em tecnologia e tiveram suas moedas desvalorizadas", pondera Flávia.

A tendência, porém, é que o outsourcing de software para os Estados Unidos cresça ainda mais. Desde a gestão de Donald Trump, as regras para imigração foram enrijecidas, o que dificulta a contratação de mão de obra capacitada para atuar no mercado de TI norte-americano e leva as empresas a apostar no modelo de parceria. "A demanda por software é muito grande e não existem profissionais para atendê-la internamente", complementa.

Atualmente, o CESAR está desenvolvendo soluções no Brasil para cinco empresas americanas, contratos advindos desta nova estratégia. Os clientes são de segmentos variados, como indústria de tecnologia para mineração e de bens de consumo eletrônicos, até startups de saúde. "Temos produzido para os clientes internacionais plataformas do tipo ‘taylormade’, criadas especificamente para atender às especificidades do negócio de cada um. No caso de startups, desenvolvemos todo o produto, a solução que elas oferecerão para o mercado", destaca. "A própria transformação digital vem sendo impulsionada pela pandemia. Então muitas empresas vão buscar uma solução no digital. E se não conseguem uma pronta de prateleira, recorrem ao software customizado".

Fundado em 1996 por professores do centro de informática da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), o CESAR, hoje um dos maiores centros de inovação do país, nasceu em Recife com o objetivo de estreitar os laços entre as demandas reais do mercado e o ambiente de pesquisa e produção intelectual da academia. Há mais de duas décadas, a instituição levanta a bandeira da transformação digital e ajudar a implementar esta cultura nas organizações. Ao longo dessa trajetória, lançou uma escola de inovação, a CESAR School, , inaugurou regionais em outros estados, nas cidades de Curitiba, Manaus e Sorocaba, firmou parcerias com diversos entes públicos, ajudou a fundar e consolidar o Porto Digital, polo tecnológico de Recife e, mais recentemente, o Polo Digital de Manaus.

"Atuar mais próximo do mercado internacional permitirá o crescimento também dos nossos profissionais, que terão acesso facilitado a novos modelos de negócios, culturas e especificidades de mercado, além de tecnologias diferentes. Por consequência, isso se reflete no melhor atendimento dos nossos clientes brasileiros também", pontua Flávia.


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