Brasil,

Como a suspensão do dissulfiram prejudica o tratamento do alcoolismo?

Entende-se o alcoolismo como uma condição crônica, progressiva e fatal. Trata-se de uma grave doença de saúde pública que acarreta prejuízos físicos, sociais, familiares e laborais aos seus portadores. O alcoolismo afeta cerca de 6,8% da população brasileira (10,5% dos homens e 3,6% das mulheres) e é uma morbidade passível de muitas recaídas frequentemente associado a situações de violência (sexual, doméstica, suicídio, assalto, homicídio), acidentes de trânsito e traumas.

A desintoxicação e a busca pela sobriedade requerem tratamento especializado, sobretudo, porque os dependentes de álcool podem passar por crises de abstinência quando o consumo é interrompido e necessitam de apoio psicológico e de mútua ajuda, através de grupo de Alcoólicos Anônimos (AA) para mudar o estilo de vida.

O tratamento para pacientes que sofrem com o alcoolismo inclui uma gama de intervenções, entre elas as terapias psicológicas e as terapias medicamentosas. Um dos poucos fármacos indicados é o dissulfiram. O remédio é capaz de gerar efeito aversivo ao álcool, uma vez que o indivíduo tem reações físicas desagradáveis se ingerir bebida alcoólica, por isso, sua indicação é tão importante no tratamento dos dependentes de álcool. Esse medicamento, inclusive, é um dos poucos aprovados pela Food and Drug Administration (FDA) para esta finalidade. Além disto, é uma medicação acessível, com baixo custo, sendo bem tolerada pelos pacientes.

No entanto, os especialistas que trabalham na linha de frente para tratar o alcoolismo estão esbarrando num problema: o dissulfiram, que é uma importante opção terapêutica, principalmente para um perfil de pacientes motivados e submetidos a tratamentos psiquiátricos e psicológicos, parou de ser produzidos pelo laboratório SANOFI-AVENTS. A indústria farmacêutica comunicou, há alguns meses, a descontinuação da fabricação e comercialização desse medicamento que é tão necessário para diminuir o impacto das recaídas entre os dependentes de álcool.

Nós, da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e Outras Drogas (ABEAD), já estamos solicitando o apoio da ANVISA para que o quadro seja revertido, uma vez que a suspensão da fabricação desse medicamento está prejudicando uma parcela significativa de pacientes com Transtorno por Uso do Álcool ou de outras Substâncias.

Vale ressaltar que estamos vivenciando uma situação atípica com a pandemia no novo Coronavírus. O isolamento social mudou o comportamento da sociedade e apresenta, como efeito colateral, a interferência na saúde mental, agravando quadros de depressão, estresse e ansiedade, todos gatilhos para recaídas nesta população.

Uma pesquisa realizada pela Fundação Oswaldo Cruz, em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais, e a Universidade Estadual de Campinas, analisou como a pandemia afetou ou mudou a vida das pessoas. O estudo aponta que 18% da população relatou aumento no uso de bebidas alcoólicas durante a pandemia, sobretudo em indivíduos de 30 a 39 anos (26%). Esse aumento no consumo de álcool está associado aos sentimentos de tristeza e depressão, ocasionados pela pandemia. Se a Covid-19 está afetando a saúde mental da população em geral, imagine quais os efeitos do Coronavírus para os dependentes químicos?

Definitivamente, esse é um momento em que os pacientes que sofrem com o alcoolismo não podem ficar desassistidos e enfrentar problemas como a falta do dissulfiram. Estudos têm demonstrado que a adesão a esse medicamento, no primeiro ano de tratamento, tem sido preditora de melhores taxas de abstinência em longo prazo.

A suspensão da fabricação do fármaco está prejudicando uma parcela significativa de pacientes com transtorno por uso do álcool ou por outras substâncias, que têm se beneficiado do dissulfiram, predispondo-os a recaídas e acarretando um aumento de ônus não só em termos individuais e familiares, como sociais. Solicitamos alternativas de produção da medicação em nosso país com a criteriosa observância desta lacuna de cuidados farmacológicos aos dependentes de álcool no Brasil. Para tanto a ABEAD produziu um abaixo assinado solicitando a ANVISA as devidas providências. Quem quiser ajudar, basta assinar a petição no link abaixo: https://secure.avaaz.org/po/community_petitions/agencia_nacional_de_vigilancia_sanitaria_anvisa_retomada_da_fabricacao_do_dissulfiram/?ftatica&utm_source=sharetools&utm_medium=facebook&utm_campaign=petition-1039828-retomada_da_fabricacao_do_dissulfiram&utm_term=XAlAib%2Bpo&fbclid=IwAR3fpXNHVdirmJqUQKByVbRCLFVZYuKpZB0amtyX9TZUKTd_jdDAmRR4n7I


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