Brasil,

Como deve funcionar o mercado de contratações pós COVID-19

Para Marcelo Arone, 18 anos de mercado e headhunter especializado em empresas que estão passando por processo de profissionalização, ainda é cedo para dizer se a vida vai imitar o mundo corporativo, ou vice-versa. A grande questão, para ele, será focar ainda mais nas pessoas, para manter o equilíbrio do sistema.

“Aristóteles disse certa vez, há quase 2.400 anos na Grécia antiga, que a arte imitava a vida. Oscar Wilde, 23 séculos depois no Reino Unido, disse o inverso afirmando, por sua vez, que a vida imitava a arte. O contraponto dos pensamentos acima nos traz pra realidade moderna da sociedade, especificamente em 2020, quando o mundo globalizado passou a conviver com um incômodo problema viral invisível, silencioso e traiçoeiro. Seu trabalho imita sua vida pessoal? Ou sua vida pessoal imitará a cultura corporativa da empresa que você faz parte?”

O questionamento é do Headhunter especializado em empresas que estão passando por processo de profissionalização, Marcelo Arone, que vem analisando as transformações profundas pelas quais o mercado está passando com a pandemia do novo Coronavírus. Para ele, não se pode, ao menos por ora, afirmar que esse sistema no qual estamos inseridos mude radicalmente depois que a tempestade passar, mas é preciso compreender as lições deixadas por ela para que possamos repensar nossas atitudes no dia a dia. Seja em casa ou no trabalho. Para ele, um fará cada vez mais parte do outro.

“Muitos profissionais e executivos nos grandes centros costumam trabalhar mais da metade de um dia comum. Com o avanço da tecnologia, sem perceber você está respondendo e-mails ou fazendo o famoso “Follow-up” pelo whatsapp da sua casa”, lembra Marcelo. Vivíamos vidas em função do escritório, mesmo em casa: “aos finais de semana, ao invés de aproveitar o tempo com seus filhos, esposa ou marido, você lembrava da reunião semanal e corre pra inserir alguma informação relevante na sua apresentação pro chefe. Nos últimos 30 dias, nossa sala virou escritório, nosso cartão de ponto foi o sol, nosso trânsito foi o tempo da cafeteira e nosso sapato virou chinelo”, enfatiza.

Por isso, para o headhunter, o Home Office veio pra ficar: “muitos já o faziam, poucos de maneira mais correta, digamos, mas, sem dúvida, as empresas já assumem que o custo operacional e mesmo a eficiência em manter os colaboradores (que podem trabalhar parte da semana em casa) vale a pena”, explica.

Marcelo lembra que, em crises, sempre há quem perca e quem esteja, mesmo que indiretamente, ganhando: “se, infelizmente, o saldo total de desempregados, ao que tudo indica, será elevado em áreas como o comércio ou serviços não essenciais, em setores como E-Commerce, Tecnologia Digital, Saúde e Indústria de Alimentos não só irão manter o quadro de funcionários como buscarão no mercado novos profissionais. Quem tiver a pró atividade em entender esse contexto todo, se reinventar (essa é a palavra da moda no momento) e posicionar sua carreira e habilidades técnicas para as novas demandas que a sociedade irá valorizar mais, largará na frente”.

Num primeiro momento, lembra Marcelo, aos olhos da famosa regra de “Oferta e Demanda”, as empresas levam vantagem: “mão de obra disponível, economia em fase de reconstrução e consumo voltando. A médio prazo, acreditando que toda queda rápida volta também ao normal com agilidade, são as pessoas (colaboradores e candidatos) que terão o poder nas mãos de escolherem onde trabalhar”.

“Responsabilidade social, sustentabilidade e inclusão que já não eram há tempos somente um termo bonito dentro das empresas irão ganhar mais destaque do que nunca. Empresas que nesse atual contexto conseguem manter o quadro de funcionários, produzem itens de higiene e equipamentos médicos para quem está na linha de frente do combate ao covid-19, ou fazem doações financeiras para ajudar as camadas mais necessitadas serão lembradas a ainda mais admiradas. As pessoas vão querer trabalhar lá e terão orgulho de divulgar. As empresas que serão escolhidas e não o oposto”, enfatiza ele, lembrando que essa é uma grande quebra de paradigma, que já estava acontecendo em alguns mercados, e deve ser expandida agora.

Para as empresas, sejam elas de pequeno, médio ou grande porte que, infelizmente, não conseguirem manter a atual estrutura, Marcelo dá uma dica: ajudar o colaborador demitido a se reposicionar na carreira: “organizar programas de recolocação profissional com consultorias especializadas, cursos de qualificação em um novo setor, carta de referência são alguns exemplos que podem servir de suporte técnico ou até mesmo emocional ao profissional que se teve que sair numa reestruturação vão proporcionar que as empresas saiam dessa crise mais humanizadas. Talvez seja a saída para se manter na dianteira”, finaliza ele.

Quem é Marcelo Arone?

Fundador da OPTME, especializada em recrutamento e seleção para empresas 100% brasileiras e que estejam em processo de profissionalização, Marcelo Arone é formado em Comunicação e Marketing pela Faculdade Cásper Líbero, com especialização em Coach Profissional pelo Instituto Brasileiro de Coaching, com 18 anos de carreira em empresas nacionais e multinacionais. Já atuou na área de comunicação de empresas como Siemens e TIM, e no mercado financeiro, em empresas como UNIBANCO e AIG Seguros. Pelo Itau BBA, tornou-se responsável pela integração da área de Cash Management entre os dois bancos liderando força tarefa com mais de 2000 empresas e equipe de 50 pessoas. Desde então, se especializou em recrutamento para posições de liderança em serviços, além de setores como private equity, venture capital e empresas de Middle Market, familiares e brasileiras com potencial para investidores. Já entrevistou em torno de 8000 candidatos e atendeu mais de 100 empresas em setores distintos


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