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A breve vida humana

Infausta epopeia nos atraiu para seu torvelinho onde se agita a natureza contrária a uma espécie que ousou domá-la. Construiu essa espécie uma bela história. Ao dominar o mundo exterior - ou imaginar que o fazia - essa espécie deu-se a folgas demoníacas. Tendo de dar vazão a seu instinto de confronto e vitória, ou derrota, considerando que o mundo exterior se encontrava tutelado, dirigiu suas farpas incontáveis, bombas e demais arsenais sofisticados, empregando suas riquezas para inimagináveis fundos militares. Demoliu grande parte de seu edifício de recursos materiais, em geral para dar vazão a demagogos ocupantes episodicamente do poder no imenso recorte de países que ocuparam o planeta.

Enquanto isso, o inimigo real se aperfeiçoava. Vivente graças ao alimento homem, usou de artimanhas, mutando-se e ludibriando os antibióticos, conduzidos na base das ciências médicas - dos erros e acertos. Auxiliar-se os próprios homens, paradoxalmente, mongóis desatinados, que por primeiro lançaram cadáveres putrefatos sobre as cercas das cidades para dizimar o "inimigo". Não percebiam que manipulavam como arma um inimigo maior - as putrefações contaminadoras eram verdadeiros bumerangues a longo prazo.

Lentamente, assim caminharam a humanidade e a natureza. Aquela não soube abraçar harmonicamente está. Insciente de que se complementavam, com ela conviveu e manipulou-a como elemento de destruição dos próprios seres similares. Manipulação contraditória conforme a comum utilização dos escravos pelos senhores, que um dia sofreriam o impacto da rebelião. Antes do que imaginávamos, chegamos ao momento decisivo. Pior, tendo à testa do mundo falsos líderes. Burocratas que ascenderam ao poder por meio de insidiosas manobras ou violência. Embora possam enfrentar o bicho, submeterão o homem a longos meses de sofrimento. Na melhor das hipóteses, até setembro de 2020. Inocentes, os sempre manobrados e explorados seres serão a grande parte que nos abandonará. A nós, os que, por circunstâncias inextricáveis, vivemos nos andares superiores da escala social. O "lumpem" proletariado e o proletariado transporão as fronteiras finais. Os que sobreviverem - classe média e os abastados - terão de reformular a teoria de valores que os equivocou até a era presente. Terão, prioritariamente, de criar fórmulas de convivência com a natureza e de preservação intersocial no plano das nações.

Isto, se não quiserem se eterniza na luta, em novo ciclo, até nova exclusão de outro "coronavírus". Uma experiência, enfim, profundamente injusta. Ainda não sabemos se a única no cosmos. Ao ver a sina da humanidade, sem idealismo e destino adrede preparado, concluímos que viajamos, desde o princípio, aos trancos e barrancos. Quisera um vestibular necessário, que sirva de manual orientativo, para os seres que amam a vida.

Num belo planeta azul e frágil - para muitos suas combinações resultaram de um grande milagre, como, por exemplo, a geografia da terra, posta precisamente no ponto do sistema solar necessário ao desenvolvimento da vida - não tínhamos o direito de bombardeá-lo. Sim, para além do mundo ocidental defender-se dos ataques insanos do III Reich, os bombardeios colidiram frontalmente contra esta parte privilegiada do universo. Haverá uma ideia absoluta que nos proporcionou essas condições ideais? Por que não, se tudo é mistério? Se não há como explicar tantos acontecimentos a causais favoráveis, menos ainda como dar os motivos de havermos estremecido e sucateado a casa que ganhamos e construímos para morar.

Fizemos desse planeta o reino da injustiça. E não há, sabemos, ação sem reação. A injustiça nada produz, salvo grossos e nodosos pedregulhos, que um dia - como agora, momento do aparentemente insólito - saltarão sobre nós, pedradas injuriosas e contundentes. O povo anda com medo, cheio de temor e tremor, parafraseando Kierkegaard, que o filósofo da fé localizava em Deus e no pecado original, transformado hoje no conhecido vírus. Por ora. Esperemos que não evolua para o desespero. Já não é mais questão de fé, mas de conhecimento, por mais pobre que seja a capacidade intuitiva de uma pessoa. Conhecimento de que somente a paciência, a aceitação de mundos separados, as ermidas, os mosteiros no alto das montanhas, podem nos salvar. Não há diferença entre essas imperiosidades do século XXI e a quietude triste, mas cheia de esperança, do início do cristianismo.

O conhecimento e a cultura nos atraem enquanto possibilidade única de sobrevivência da raça no futuro. O pragmatismo construtivista, que nos empolgou até hoje, não deu certo. Faltava algo fundamental, a filosofia de vida. A compreensão do caminho pelo qual deveriam seguir nossas forças. O mundo pós coranavírus aí está para nos guiar, entre gotas de sangue, sobretudo através de uma nova teoria de valores.

* Amadeu Garrido de Paula, poeta e ensaista literário, é advogado, atuando há mais de 40 anos em defesa de causas relacionadas à Justiça do Trabalho e ao Direito Constitucional, Empresarial e Sindical. Fundador do Escritório Garrido de Paula Advocacia e autor dos livros: "Universo Invisível" e "Poesia & Prosa sob a Tempestade". Ambos à venda na Livraria Cultura.


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