Brasil, 22 de Outubro de 2019

Apoio da sociedade viabiliza censo populacional do papagaio-de-cara-roxa no litoral do Paraná

Censo é realizado anualmente pela equipe do Projeto com ajuda de voluntários. Créditos: Zig Koch. Censo é realizado anualmente pela equipe do Projeto com ajuda de voluntários. Créditos: Zig Koch.

Monitoramento é a principal ferramenta para avaliação de resultados do projeto

A Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS) realiza, entre os dias 7 e 9 de junho, a 18ª edição do censo populacional do papagaio-da-cara-roxa (Amazona brasiliensis) no Paraná. O censo, realizado anualmente pela equipe do Projeto de Conservação do Papagaio-de-cara-roxa, contará este ano com a participação de 25 voluntários, entre eles moradores da região, pesquisadores, estudantes e conservacionistas.

O censo é realizado normalmente em toda área de ocorrência da espécie, no litoral do Estado do Paraná e litoral sul de São Paulo. Este ano, para viabilizá-lo a SPVS organizou uma campanha de financiamento coletivo que buscava arrecadar R$ 20 mil. Os recursos cobrem despesas operacionais e de logística do processo, como custos com deslocamento, alimentação e treinamento de voluntários. A quantia foi alcançada parcialmente, por isso, 2019 é o primeiro ano, desde que o projeto ampliou sua atuação, em 2013, em que o monitoramento será realizado apenas em parte do litoral paulista, em Itanhaém. A campanha foi finalizada no dia 6 de junho e contou com a contribuição de 40 doadores. Além desta mobilização, o censo contou ainda com o apoio do Parque das Aves, localizado em Foz do Iguaçu, no oeste do Paraná.

O monitoramento em Itanhaém será possível devido à mobilização de um grupo de oito voluntários que atuam na região. O grupo faz o monitoramento mensal da espécie há cinco anos. “Iniciamos esse acompanhamento porque notamos uma carência de dados concretos nos estudos locais. A estimativa era de uma população de 80 a 100 indivíduos, mas quando fizemos o primeiro censo, encontramos quase 500 papagaios. Então percebemos a importância de um trabalho de campo efetivo e por isso apoiamos o projeto e faremos o trabalho de forma voluntária”, explica o biólogo Gabriel Borali.

O censo é uma das atividades mais importantes do projeto, já que é a principal ferramenta para avaliação dos resultados. “O ideal seria monitorarmos todo território ocupado pela ave, que vive em uma estreita faixa de planície entre o litoral Sul de São Paulo e o litoral do Paraná, que pertencem ao bioma Mata Atlântica. Infelizmente, a falta de recursos inviabiliza cobrirmos toda essa área, então priorizamos o Paraná, porque é a região com maior concentração de papagaios”, explica a coordenadora do Projeto, Elenise Sipinski. Ela reforça a importância da mobilização popular e da contribuição da sociedade civil para a conservação da natureza de uma forma geral. “Precisamos da ajuda de todos para que trabalhos como esse apresentem bons resultados a longo prazo”, ressalta.

O projeto da SPVS começou em 1998 e, em 2014, a espécie saiu da categoria “vulnerável” na Lista de Espécies da Fauna Brasileira Ameaçadas de Extinção, organizada pelo Ministério do Meio Ambiente. Hoje, o papagaio-de-cara-roxa é considerado “quase ameaçado”. No ano passado, 9.112 indivíduos foram contabilizados, sendo 7.366 no Paraná e 1.748 em São Paulo.

Ameaças em São Paulo e no Paraná

No litoral paulista, a maior ameaça encontrada pelos pesquisadores do Projeto é o comércio ilegal dos filhotes da espécie, que são retirados dos ninhos antes que consigam se desenvolver para alçar voo. Isso acontece porque os remanescentes de Mata Atlântica estão próximos a estradas e cidades, o que torna os ninhos paulistas mais vulneráveis. Segundo dados da Polícia Militar Ambiental de São Paulo, mais de cinco mil animais silvestres foram apreendidos no Estado entre janeiro e abril de 2019. Mais da metade são pássaros. “Por isso, a conservação da espécie no Estado exige campanhas educativas, parcerias com instituições locais e moradores e ações de fiscalização mais efetivas na região”, explica Elenise.

Já no Paraná a maior ameaça que a população de papagaios do litoral do Estado sofre é a possível construção de um porto privado em Pontal do Paraná, próximo à Ilha do Mel. Se construído, o empreendimento afetará pelo menos 4 mil papagaios-de-cara-roxa, ou seja, quase 60% de todos os papagaios que vivem no litoral paranaense, além de gerar outros impactos ambientais e sociais na região, como a redução dos remanescentes de Mata Atlântica próximos à Ilha do Mel, segundo maior destino turístico do Paraná.

Conservação e economia

O Brasil é o segundo País do mundo com maior diversidade de aves, contabilizando 1.901 espécies, atrás apenas da Colômbia, que tem 1.924. Apesar da riqueza da fauna local, a observação de aves, ou birdwatching, é uma prática pouco difundida no País. Segundo dados da Avistar Brasil, são mais de 35 mil brasileiros dedicados à observação de aves atualmente, com expectativa de chegar a 100 mil observadores nos próximos três anos. Nos Estados Unidos, segundo dados do Relatório Nacional de Pesca, Caça e Atividades Recreativas Relacionadas à Vida Selvagem, o número de observadores de aves chega a 47 milhões de pessoas, movimentando cerca de US$ 54 bilhões todos os anos.

Projetos como o executado pela SPVS potencializam atividades econômicas sustentáveis ao beneficiar todo o bioma e a conservação de outros animais que vivem ali. Umas dessas atividades é o turismo de natureza, que, além de garantir a conservação local, promove oportunidade de renda e geração de empregos. Levantamentos mostram que um turista observador de aves, por exemplo, gasta em média US$ 3 mil por viagem, permanecendo entre 6 e 10 dias no local.


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