Brasil, 16 de Dezembro de 2018

+ F O N T E -

Vamos falar sobre o medo?

Congresso Internacional do Medo

Provisoriamente não cantaremos o amor, que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos. Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços, não cantaremos o ódio, porque este não existe, existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro, o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos, o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas, cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas, cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte. Depois morreremos de medo e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas. Carlos Drummond de Andrade

É assustador pensar o quanto podemos ser, silenciosa ou escandalosamente, governados pelo medo, emoção fundamental para o desenvolvimento humano, e o quanto ela pode nos impor sofrimento e nos adoecer. Temos medo de perder nossas posses, nossa posição social, nossos entes queridos. Não toleramos ficar sozinhos, temos medo da solidão, do que os outros vão pensar de nós, temos medo da rejeição. Temos muito medo da rua, dos vizinhos, dos passantes e só nos sentimos precariamente seguros sob grades e muros; enxergamos imagens de inimigos por todos os lados. Temos medo de nós mesmos, de como poderemos reagir a isso ou àquilo, temos medo do que comemos, das doenças e dos processos naturais de envelhecimento a que todos estamos submetidos. Temos traumas e fobias do passado que já passou, pânico no presente e ansiedades futuras, que sequer se apresentaram.

As mídias auxiliam na manutenção dessa atmosfera generalizada de pavor ao veicular incessantemente manchetes aterrorizantes. Há quem apresente dados e estatísticas da escalada dos homicídios e da violência urbana. Porém, esses estudos são feitos a partir de recortes de curtos espaços de tempo, o que pode turvar nossa percepção objetiva dos fatos sob um olhar mais amplo. Na verdade, se observada historicamente da idade antiga até hoje, a violência tem diminuído; assim, não teríamos motivos para nos sentirmos tão ameaçados o tempo todo, como nossos ancestrais.

Hoje em dia, temos recursos e mecanismos que sequer existiam antes, como leis de proteção, tribunais internacionais para julgar crimes de guerra, agendas internacionais para a promoção da justiça e da paz.... Contudo, sendo real ou imaginário, o medo é percebido e sentido, e essa realidade mental influencia nossas vidas. Por isso, precisamos aprender a abraçar nossos medos, pois não adianta varrê-lo para debaixo do tapete. Não há rota de fuga exterior: camuflar o medo da solidão com uma programação entediante de TV, abusar de álcool, drogas ou comida, manter relacionamentos com os outros por medo de não ter nossas necessidades atendidas e não por mútuo amor e felicidade... Se tentarmos desviar de nossos medos, eles crescerão e se multiplicarão nas sombras, longe da luz da consciência, criando sintomas, síndromes e transtornos do medo. A única saída é para dentro, é olhar para nosso interior, reconhecer nossos medos e abraçá-los com ternura, gentileza e compaixão por nós mesmos. À medida que lançamos um olhar profundo e acolhedor, que podemos admiti-los e conversar sobre eles, os temores vão gradualmente perdendo força.

É claro que o medo é uma emoção, e como tal, cumpre uma importante função biológica para nos manter em segurança. Porém, quando não há espaço para nos mostrarmos vulneráveis, e lhes lançar um olhar profundo e acolhedor, os medos se tornam maus conselheiros e podem nos impedir de viver a beleza de uma vida plena, pois estaríamos mortos de medo. Desta forma, faz-se necessário e fundamental promover recursos sistematizados, por meio da Educação Emocional e Social, para que as pessoas possam aprender a lidar com esta e todas as emoções presentes em nossa vida. Embora essa tarefa possa parecer intimidadora, o preço da paz é a coragem de encarar os medos que surgem ao longo do nosso caminho.


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