Brasil, 22 de Novembro de 2018

+ F O N T E -

Discussões sobre o futuro das autogestões e sustentabilidade do setor marcaram o primeiro dia do 21º Congresso Internacional UNIDAS – Caminhos para Inovar

Na manhã da última quinta-feira, 08, no complexo turístico Costa do Sauípe, na Bahia, o presidente da UNIDAS, Aderval Paulo Filho abriu oficialmente o 21º Congresso Internacional UNIDAS – CAMINHOS PARA INOVAR. Aderval iniciou falando da importância das autogestões no contexto brasileiro. "As autogestões são planos mais acessíveis. Temos compromisso com o nosso beneficiário", destacou. Ele também ressaltou a luta da UNIDAS para ter o reconhecimento da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) em relação às características desse segmento, que não tem fins lucrativos, e, portanto, deveriam assim ser tratadas pela entidade reguladora.

Após a abertura oficial, foi a vez do economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e presidente da Associação Brasileira de Economia da Saúde (ABrES), Carlos Octávio Ocké-Reis, que abordou as tendências para o mercado de saúde suplementar, que passam pelo custo crescente no segmento de serviços de saúde, a revolução técnico-científica e, sobretudo, o envelhecimento da população brasileira.

"A inflação dos planos de saúde vem crescendo a uma taxa bem mais rápida que os demais serviços do País. Isso é um problema para as empresas que financiam a saúde do trabalhador", disse o palestrante. "Por esse motivo, encarece cada vez mais os serviços de saúde. Contudo, como é um serviço de impacto social, o Estado tem a obrigação de subsidiar parte dos gastos com saúde", concluiu.

O palestrante finalizou falando sobre os desafios das autogestões. "Temos que valorizar essa modalidade assistencial - as autogestões - dentro do modelo econômico brasileiro. As autogestões deveriam ter incentivos do Estado e da ANS, bem como ter uma atuação em conjunto com o SUS", finalizou.

No mesmo painel o psicólogo e professor, Henio Braga Junior, falou sobre Como os trabalhadores com sofrimento psíquico são tratados na saúde suplementar. O palestrante iniciou contando sobre a evolução das doenças psíquicas ao longo da história.

De acordo com Braga, o grande desafio é construir uma rede de atenção integral à saúde mental, que tenha um olhar interdisciplinar com coordenação de ações terapêuticas e ações de educação permanentes e redução de danos. "Falta atenção à saúde mental. O modelo como é estruturado hoje é muito fragmentado, não possibilitando o cuidado completo para o indivíduo", finalizou.

O Futuro da saúde suplementar

Diretor de Normas e Habilitação dos Produtos da ANS, Rogério Scarabel, falou sobre as tendências que se desenham para a saúde suplementar nos próximos anos. O palestrante mostrou números atuais do segmento (2017), que tem 47,34 milhões de beneficiários em planos de assistência médica e geraram, em 2017, R$ 176,04 bilhões de receita com contraprestações (médico-hospitalares) e R$ 149,05 bilhões de despesas assistenciais (médico-hospitalares). "Os números da saúde suplementar a partir de 2015 mostram que houve uma redução nos números de beneficiários, mas 2018 já mostra uma recuperação", afirmou.

Durante a apresentação, Scarabel mostrou os impactos do envelhecimento populacional e das doenças crônicas e daquelas que reapareceram no Brasil, como sarampo, febre amarela e malária, na gestão das operadoras. "Esses fatores estão impactando a sustentabilidade da saúde suplementar e preocupa a ANS".

Scarabel falou ainda que em 2019, a ANS irá introduzir uma nova agenda regulatória, que será submetida previamente à consulta pública. Portabilidade de carência dos planos e introdução da capitalização no financiamento à saúde também estão entre os temas a serem debatidos. A agência também revisará a política de reajuste de preços.

"O diálogo entre os atores, a discussão com a sociedade brasileira e a construção conjunta do aperfeiçoamento do marco regulatório irá tornar possível a segurança jurídica, a previsibilidade e a sustentabilidade do setor de saúde suplementar", finalizou.

O impacto da incorporação dos biossimilares na Europa e seus principais desafios

O uso de medicamentos biossimilares no Brasil ainda causa dúvidas entre médicos e especialistas. Para ajudar a dirimir as dúvidas dos participantes, a UNIDAS trouxe ao 21º Congresso Internacional – Caminhos para Inovar, o chefe da unidade de Biotecnologia, Biofarmacêutica e Molecular do Instituto de Investigação Médica e Farmacêutica (iMed) e professor de imunologia e biotecnologia da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa, João Gonçalves, que compartilhou experiências do uso desses medicamentos no continente europeu. Segundo o português, a Europa começou a trabalhar com biossimilares há 12 anos, sempre em constante evolução. "Ainda assim, temos muitos passos a dar para avançar no uso desses medicamentos", disse.

Com foco a ajudar a diminuir custos e, sobretudo, salvar vidas, os biossimilares exercem papel fundamental e, ao longo desses 12 anos de tratamento, a Europa não identificou nenhum problema atrelado ao uso deles. E, segundo Gonçalves, a discussão dos biossimilares tende a crescer ainda mais, fruto da iminência do vencimento de patentes de medicamentos biológicos que está em processo. "O resultado, no entanto, será uma desconfiança bem menor em relação a esses novos biossimilares anti aos primeiros introduzidos no mercado, uma vez que já conhecemos a eficácia deles", esclareceu.

E, na opinião do farmacêutico, os biossimilares devem ser olhados com bastante entusiasmo, sobretudo diante de doenças oncológicas, por exemplo. "A previsão é que em 2020 o mundo gastará mais de 150 bilhões de dólares em tratamento de câncer. Logo, os custos vão aumentar e, portanto, precisamos ter respostas e alternativas para reduzir esse impacto e acredito que isso passa pela adoção dos biossimilares".

Por fim, o professor fez um apelo: a importância de orientar os médicos para que eles ajudem na construção da confiança no uso desses medicamentos. Segundo o professor, países como Inglaterra, França, Dinamarca e Portugal já dão preferência na adoção do medicamento biossimilar em relação ao biológico nos protocolos de tratamento.

Painel 2 - Mudanças nos modelos de remuneração

Abrindo o segundo painel, o coordenador do Grupo de Trabalho de Modelo de Remuneração Baseado em Valor do Instituto Coalizão Saúde (ICOS) e diretor Brasil Ethicon na Johnson & Johnson, Fabricio Campolina. O palestrante apresentou a definição de valor segundo o ICOS, permeada por três vertentes: percepção do cidadão quanto à experiência assistencial; prevenção e tratamentos apropriados que proporcionem desfechos clínicos de alta qualidade e, por fim, custos adequados em todo o ciclo de cuidado, permitindo a sustentabilidade do sistema de saúde. "Essa união é que gera o desfecho clínico de alta qualidade e custos adequados durante o ciclo", concluiu.

Em seguida, foi a vez da médica e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Maria de Fátima Andreazzi, cujo tema de sua apresentação foi Modelos de pagamento de serviços médicos e de saúde. A médica iniciou falando sobre os modelos de pagamento de serviços médicos e de saúde. "O fee for service (pagamento por produção) é um dos modelos mais antigos que existem. Por isso, é difícil de mudar. Precisamos entender mais de teoria econômica para poder trabalhar a mudança de comportamento", exemplificou Andreazzi.

Segundo Maria de Fátima, o prestador de serviços na saúde é um profissional que está entre duas forças: o interesse em obter lucros e o bem estar do paciente.

Fechando o segundo painel, o professor Cláudio Queiroz, com a apresentação O papel das lideranças no contexto de mudanças. Segundo o palestrante, a liderança tem como papel gerenciar a atenção, o significado, a confiança e, claro, gerenciar a si mesmo. "A liderança não deve somente dar o foco, porque ele só gera o olhar e não mobiliza as pessoas. É por isso que precisa ter propósito".

De acordo com o professor Queiroz, não há quebra de paradigmas sem envolvimento e o papel da liderança é preparar a equipe e a organização para o futuro que ainda não chegou. "Cada vez que eu envolvo as pessoas, eu acelero o processo de mudança", explicou o palestrante.

Para finalizar, Cláudio foi enfático ao afirmar que mudanças só ocorrem quando há pessoas preparadas e dispostas para ela.

Inovação sustentável e consciente

Na última palestra do primeiro dia do 21º Congresso Internacional UNIDAS – Caminhos para Inovar, o gestor médico de Atenção e Inovação em Saúde na Unimed Vitória, Paulo do Bem, ressaltou que o sistema de saúde, muitas vezes, prima pela quantidade de serviços executados e não pela qualidade. Segundo ele, a saúde, um dos principais serviços para o bem-estar da sociedade, é baseado em um modelo insustentável que beiro o colapso. E para piorar, o envelhecimento da população brasileira impacta o cenário atual. "O incremento de 1% na população de idosos aumenta em 3,5% os custos assistenciais. E cada vez mais temos idosos. Como se adaptar a essa realidade?", questiona.

Um dos caminhos, segundo do Bem, é a união de três ações, já adotadas em países como os Estados Unidos: maximizar a qualidade com uma assistência à saúde centrada no paciente, acessível e segura; incrementar a saúde por meio de intervenções direcionadas à mudança em determinantes comportamentais, sociais e ambientais e, por último, reduzir o custo da assistência à saúde para indivíduos, famílias, empregadores e governo.

Serviço
21º Congresso Internacional UNIDAS – CAMINHOS PARA INOVAR

De 7 a 09 de novembro

Local: Costa do Sauípe – Bahia

Mais informações: www.unidas.org.br/21congresso
Sobre a UNIDAS

A UNIDAS - União Nacional das Instituições de Autogestão em Saúde é uma entidade associativa sem fins lucrativos, representante das operadoras de autogestão do Brasil. A autogestão em saúde é o segmento da saúde suplementar em que a própria instituição é a responsável pela administração do plano de assistência à saúde oferecido aos seus empregados, servidores ou associados e respectivos dependentes. É administrado pela área de Recursos Humanos das empresas ou por meio de uma Fundação, Associação ou Caixa de Assistência – e não tem fins lucrativos. Atualmente, a UNIDAS congrega cerca de 120 operadoras de autogestão responsáveis por prestar assistência a quase 4,7 milhões de beneficiários, que correspondem a 11% do total de vidas do setor de saúde suplementar. É entidade acreditadora chancelada pelo QUALISS, da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), por meio do programa UNIPLUS.


Publicidade

Compartilhar::

Participe do GRUPO SEGS - PORTAL NACIONAL no FACEBOOK...: https://www.facebook.com/groups/portalnacional/

Separador
IMPORTANTE.: Voce pode replicar este artigo. desde que respeite a Autoria integralmente e a Fonte...  www.segs.com.br
Separador
No Segs, sempre todos tem seu direito de resposta, basta nos contatar que voce sera atendido. - Importante sobre Autoria ou Fonte..: - O Segs atua como intermediario na divulgacao de resumos de noticias (Clipping), atraves de materias, artigos, entrevistas e opinioes. - O conteudo aqui divulgado de forma gratuita, decorrem de informacoes advindas das fontes mencionadas, jamais cabera a responsabilidade pelo seu conteudo ao Segs, tudo que e divulgado e de exclusiva responsabilidade do autor e ou da fonte redatora. - "Acredito que a palavra existe para ser usada em favor do bem. E a inteligencia para nos permitir interpretar os fatos, sem paixao". (Autoria de Lucio Araujo da Cunha) - O Segs, jamais assumira responsabilidade pelo teor, exatidao ou veracidade do conteudo do material divulgado. pois trata-se de uma opiniao exclusiva do autor ou fonte mencionada. - Em caso de controversia, as partes elegem o Foro da Comarca de Santos-SP-Brasil, local oficial da empresa proprietaria do Segs e desde ja renunciam expressamente qualquer outro Foro, por mais privilegiado que seja. O Segs trata-se de uma Ferramenta totalmente automatizada e controlada por IP. - "Leia e use esta ferramenta, somente se concordar com todos os TERMOS E CONDICOES DE USO".
Separador

ADICIONE SEU COMENTÁRIO..::
Aja com responsabilidade, aos SEUS COMENTÁRIOS em Caso de Reclamação, nos reservamos o Direito, a qualquer momento de Mudar, Modificar, Adicionar, ou mesmo Suprimir os comentarios de qualquer um, a qualquer hora, sem aviso ou comunicado previo, leia todos os termos... CLIQUE AQUI E CONHEÇA TODOS OS TERMOS E CONDIÇÕES DE USO. - O Nosso muito obrigado - Esta ferramenta é automatizada...Sucesso!


voltar ao topo