Brasil, 20 de Outubro de 2018

+ F O N T E -

O fotógrafo japonês que documentou a comunidade brasileira no Japão

Keisuke Nagoshi retratou a vida cotidiana de imigrantes do Brasil na ilha nipônica durante a crise econômica asiática

O Japão tem uma relação complicada com sua diáspora. No começo do século XX, quando o país asiático estava sofrendo com uma grande população, mas poucos empregos, os trabalhadores japoneses começaram a procurar novas oportunidades no exterior.

Naquela época, porém, as opções eram muito limitadas: países como os Estados Unidos tinham implementando políticas racistas de imigração, barrando o desembarque de asiáticos ou imigrantes "não-brancos".

Em outra direção, o Brasil era a economia que mais crescia e atraía estrangeiros do mundo. O país tinha tentado, sem sucesso, chamar imigrantes europeus para trabalhar nas plantações de café por meio de um programa migratório que, por sua vez, também tinha razões racistas -- e era tão propenso a abusar das regras que teve restrições do governo italiano, por exemplo. Assim, quando imigrantes japoneses chegaram ao Brasil, encontraram muitas oportunidades de emprego, mas salários baixos.

Avançando rapidamente ao longo de décadas da história brasileira e congelando nos anos 1980, no Japão, percebe-se o movimento inverso: o país asiático tinha uma economia vigorosa e já ultrapassava o Brasil em termos de PIB. Naquele momento, era o Japão que precisava de novos trabalhadores, mas o governo não parecia disposto a abrir suas portas aos milhões de estrangeiros.

Os japoneses, então, passaram a ver com bons olhos os brasileiros que, saindo da América do Sul ou de algum tipo de intercâmbio na Austrália, estavam dispostos a desembarcar na ilha nipônica e fazer o caminho de volta dos seus antepassados.

Assim, o governo do Japão passou a oferecer contratos de trabalho para dekasseguis -- descendentes de japoneses nascidos no exterior -- brasileiros. Uma década depois, o programa de imigração foi expandido para qualquer descendente de japoneses vivendo no Brasil que fizesse parte até da terceira geração de imigrantes nascidos em solo japonês.

Quando a economia do Japão estagnou, muitos destes brasileiros perderam seus empregos no país. De repente, os japoneses não queriam muitos estrangeiros rondando suas cidades, passando a considerá-los por sua etnicidade. Em 2009, o governo oferecia US$ 3 mil (R$ 11,2 mil, na cotação de outubro) -- e mais US$ 2 mil (R$ 7,5 mil) por criança -- para cada brasileiro desempregado que aceitasse retornar ao país de origem. Desde então, tensões passaram a surgir na comunidade local.

O centro da questão estava na visão cultural japonesa sobre os "estrangeiros". Mesmo descendentes de japoneses são considerados "estrangeiros" no país. O caso mais famoso é o da rixa que passou a operar entre entre japoneses e os dekasseguis brasileiros residentes da cidade de Toyota, na prefeitura de Aichi, a 311 km de Tóquio.

Em poucos lugares isso foi mais evidente do que no complexo de apartamentos Homi Danchi, em Toyota. Cerca de 40% dos prédios era ocupada por brasileiros descendentes imigrantes -- uma imensa porcentagem em um país homogêneo como o Japão.

O fotógrafo japonês Keisuke Nagoshi ficou três anos documentando a vida cotidiana da comunidade brasileira na região, tirando cerca de 40 mil fotos, das quais algumas foram selecionadas para seu livro Familia Homi Complex (sem publicação no Brasil), que deu origem ao curta The People & Food of the Homi Project.

"Comecei a ouvir sobre corridas de rua de brasileiros em Nagoya. Os boatos diziam que eles corriam perto de um píer e gostei da ideia de fotografá-los", conta ele.

"No entanto, foi em 2000 que a coisa ficou séria: eu estava passando por Hamamatsu e, quando a noite caiu, comecei a procurar um lugar para dormir que não me obrigasse a ficar no carro. Cheguei numa praia que estava lotada -- era uma festa que parecia um carnaval brasileiros. Tinha uns 3 mil brasileiros ali, todos com roupas de praia. Como eu já tinha fotografado no Rio de Janeiro e em Salvador, aquilo me impressionou", continuou.

Hoje, as relações seguem complexas, mas as comunidades também permanecem enormes: o Brasil possui o maior contingente de japoneses fora do Japão do mundo, com 1,9 milhão de pessoas. Na ilha nipônica, por sua vez, são 180 mil brasileiros, de acordo com dados da agência Bloomberg divulgados no ano passado.

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