Brasil, 18 de Setembro de 2018

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Você acredita em sustentabilidade?

Para muitas pessoas a resposta é "não". Um dos principais motivos para esta descrença está relacionado ao mau uso do conceito de sustentabilidade. Muitas empresas utilizam esta palavra de maneira indevida e isso prejudica o tema. Tais empresas fazem algumas ações capazes de ajudar poucas pessoas ou garantir uma pequena preservação ambiental, e já se apresentam como empresas sustentáveis. Já existe um termo para isso: "greenwashing" que significa uma espécie de maquiagem verde.

O que determina se uma ação é grande ou pequena é o seu impacto no sentido de mitigar ou compensar possíveis danos que estejam sendo causados como decorrência da operação daquela empresa. Nesse sentido, é comum encontrar relatórios de sustentabilidade que tratam de números absolutos sem mostrar sua representatividade no contexto geral. Por exemplo, um relatório menciona que a empresa utilizou 5.000 unidades de embalagens descartáveis, mas não informa o volume total de embalagens manuseadas. Sendo assim, é impossível mensurar a representatividade das embalagens recicladas dentro do contexto geral da empresa.

Da mesma forma, há indícios de "greenwashing" quando uma empresa busca um reconhecimento sustentável, mas omite dados históricos que seriam capazes de demonstrar a evolução do consumo de água, energia ou algum outro recurso natural. Em se tratando de questões sociais, não relatar dados referentes à quantidade de mulheres em cargos de liderança ou a diferença salarial entre homens e mulheres, são atitudes criticadas em função da facilidade para a obtenção destes dados. Nenhuma empresa pode alegar que não os possui. Então, se não reportam, estimulam uma desconfiança sobre o real motivo desta omissão.

Certamente, trata-se de um assunto delicado, mas que precisa ser discutido, inclusive para garantir o devido reconhecimento das empresas que empenham esforços para implementar e expandir as boas práticas sociais e ambientais.

Assim como as ações de corrupção encontradas na Lava Jato tornam o cidadão brasileiro descrente quanto à política brasileira, maus exemplos de empresas também prejudicam a imagem da sustentabilidade como um instrumento para transformação do futuro.

É preciso empenhar esforços para um movimento contrário no sentido de explicitar boas ideias e bons exemplos que estão trazendo benefícios sociais, preservação ambiental e resultado econômico. Somente assim estaremos atendendo o tripé da sustentabilidade que envolve aspectos sociais, ambientais e econômicos.

Gleriani Ferreira, consultora e professora doutora da Universidade Presbiteriana Mackenzie Alphaville, desenvolve pesquisas e projetos para a implementação de indicadores de sustentabilidade em empresas e em cadeias produtivas, especialmente na região da Amazônia brasileira

Sobre o Mackenzie

A Universidade Presbiteriana Mackenzie está entre as 100 melhores instituições de ensino da América Latina, segundo a pesquisa QS Quacquarelli Symonds University Rankings, uma organização internacional de pesquisa educacional, que avalia o desempenho de instituições de ensino médio, superior e pós-graduação.

Gleriani Ferreira

Para muitas pessoas a resposta é "não". Um dos principais motivos para esta descrença está relacionado ao mau uso do conceito de sustentabilidade. Muitas empresas utilizam esta palavra de maneira indevida e isso prejudica o tema. Tais empresas fazem algumas ações capazes de ajudar poucas pessoas ou garantir uma pequena preservação ambiental, e já se apresentam como empresas sustentáveis. Já existe um termo para isso: "greenwashing" que significa uma espécie de maquiagem verde.

O que determina se uma ação é grande ou pequena é o seu impacto no sentido de mitigar ou compensar possíveis danos que estejam sendo causados como decorrência da operação daquela empresa. Nesse sentido, é comum encontrar relatórios de sustentabilidade que tratam de números absolutos sem mostrar sua representatividade no contexto geral. Por exemplo, um relatório menciona que a empresa utilizou 5.000 unidades de embalagens descartáveis, mas não informa o volume total de embalagens manuseadas. Sendo assim, é impossível mensurar a representatividade das embalagens recicladas dentro do contexto geral da empresa.

Da mesma forma, há indícios de "greenwashing" quando uma empresa busca um reconhecimento sustentável, mas omite dados históricos que seriam capazes de demonstrar a evolução do consumo de água, energia ou algum outro recurso natural. Em se tratando de questões sociais, não relatar dados referentes à quantidade de mulheres em cargos de liderança ou a diferença salarial entre homens e mulheres, são atitudes criticadas em função da facilidade para a obtenção destes dados. Nenhuma empresa pode alegar que não os possui. Então, se não reportam, estimulam uma desconfiança sobre o real motivo desta omissão.

Certamente, trata-se de um assunto delicado, mas que precisa ser discutido, inclusive para garantir o devido reconhecimento das empresas que empenham esforços para implementar e expandir as boas práticas sociais e ambientais.

Assim como as ações de corrupção encontradas na Lava Jato tornam o cidadão brasileiro descrente quanto à política brasileira, maus exemplos de empresas também prejudicam a imagem da sustentabilidade como um instrumento para transformação do futuro.

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Gleriani Ferreira, consultora e professora doutora da Universidade Presbiteriana Mackenzie Alphaville, desenvolve pesquisas e projetos para a implementação de indicadores de sustentabilidade em empresas e em cadeias produtivas, especialmente na região da Amazônia brasileir


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Comentários  
0 #1 Gilis 12-07-2018 16:55
Concordo que a maquiagem nos relatórios existe e é praxe no mercado.
Da mesma forma, entendo como uma maquiagem chamarem de "Sustentabilidade" aquilo que não pode ser chamado mais que "boas práticas sociais e ambientais.".
Desculpe-me o(a) autor(a) do texto, mas, Sustentabilidade, é algo muito mais profundo, complexo e sistêmico que isso que avaliam no universo tupiniquim. O verbete Sustentabilidade é o tema bola da vez, e é o que percebo como o mais levianamente utilizado.
Infelizmente o virus da emocionalidade e do fundamentalismo ideológico contaminou a academia brasileira, e pude perceber no texto, a citação de alguns parâmetros dos mais esdrúxulo como essenciais para esse arremedo de "sustentabilidade".
Turismo e Sustentabilidade, por serem temas novos no universo tupiniquim, se alicerçam em conceitos vazios embasados num alicerce de areia movediça, típico da insistência de história, vivência, experiência, pesquisa consolidada e, consequentemente, know how!
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