Brasil, 23 de Fevereiro de 2017
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Crise interna e barreira protecionista garantem à indústria o melhor resultado para as exportações de pneus de passeio desde 2013

As exportações cresceram 12,6% e as importações caíram 18,4%. Todos os países abrangidos por sobretaxa antidumping apresentaram em 2016 o mais baixo volume de importações desde 2011.

“Entre as montadoras de veículos, a BMW foi a que mais importou pneus em 2016. Foram US$ 5,029 milhões, seguida pela General Motors (US$ 4,018 milhões), Honda (US$ 3,865 milhões), FCA Fiat Chrysler (US$ 3,829 milhões) e Volkswagen (US$ 3,506 milhões)

A indústria brasileira encerrou 2016 com o mais alto volume de exportação de pneus para veículos de passeio, picapes e SUVs desde 2013. Foram exportadas 8.645.270 unidades para 119 países e geradas receitas em moeda forte de US$ 426,6 milhões, resultado 12,64% maior que o registrado em 2015, que havia sido de US$ 378,7 milhões.

Os principais mercados para os pneus Made in Brazil foram os Estados Unidos (alta de 24,9% sobre 2015), Argentina (+23,7%) e Chile (+36,7%).

Se as exportações foram bem, o mesmo não se pode dizer das importações que apresentaram o pior resultado desde 2008. O Brasil importou 10.208.800 unidades oriundas de 46 países, com negócios de US$ 310,9 milhões - recuo de 18,42% em relação ao ano anterior.

Os dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), mostram que o volume de pneus importados caiu em mais de 1,0 milhão de peças comparado a 2015 e em mais de 7,2 milhões de peças comparativamente a 2013, até então o melhor resultado conquistado pelos importadores da indústria, montadoras de veículos e independentes.

Exportação em alta (12,64%) e importação em baixa (18,42%) acabaram por gerar o maior resultado superavitário da balança comercial de pneus de passeio, picapes e SUVs desde 2009, de US$ 115,6 milhões.

Na verdade, não se trata apenas do maior saldo positivo dos últimos sete anos, mas sim, da inversão de cinco anos sucessivos de déficits comerciais nessa conta. O último superávit havia ocorrido em 2010, de US$ 31,8 milhões.

Vale destacar que se fossem excluídas as importações feitas exclusivamente pela indústria local e pelas montadoras de veículos simplesmente não haveriam déficits na balança comercial de pneus de passeio, apenas superávits.

“Os números retratam muito bem o que vivemos em 2016 e refletem o baixo nível de demanda interna, perda de poder aquisitivo, desemprego crescente, recuo substancial nas vendas de automóveis. É natural que nesse ambiente a indústria tenha elevado suas exportações como uma forma de escoar o excedente de sua produção, mas as regras protecionistas impostas pelo governo brasileiro contra a importação de pneus de passeio também tiveram efeitos sobre os números”, afirma o diretor presidente da Associação Brasileira dos Importadores e Distribuidores de Pneus (ABIDIP), Milton Favaro Junior.

Desde 2012, o Brasil aplica taxas adicionais à título de antidumping sobre as importações de pneus de passeio oriundas de cinco países, dentre eles a China, Coreia do Sul, Tailândia, Taiwan e Ucrânia. As sobretaxas são válidas por cinco anos.

“Essa barreira de proteção foi feita para equilibrar preços entre os pneus produzidos aqui e os importados, mas o que podemos dizer é que os efeitos práticos disso são outros. A concorrência interna foi anulada e as importações oriundas da Ucrânia, por exemplo, acabaram. Não se importam mais pneus de passeio da Ucrânia. De Taiwan, os números que eram de mais de US$ 20,4 milhões em 2011, fecharam 2016 em apenas US$ 1,9 milhão”, diz o executivo.

Outros efeitos gerados pelo protecionismo comercial brasileiro apontam para as menores importações de pneus de passeio da China, Coreia do Sul, Tailândia e Taiwan desde 2011. Em 2016, as importações da China caíram 12,24%, para US$ 124,7 milhões (já chegaram a US$ 201,7 milhões em 2013).

Da Coreia do Sul o recuo foi de 13,13%, para US$ 14,5 milhões (já chegaram a ser de US$ 74,1 milhões em 2012). Da Tailândia houve baixa de 71,35%, para US$ 3,7 milhões, ante US$ 39,3 milhões quando atingiram o auge em 2013.

“Os números mostram que não é apenas a crise interna ou a volatilidade cambial que afetam as importações, mas a aplicação de sobretaxas por dumping praticamente retirou a força competitiva dos pneus importados e criou-se um mercado interno sem concorrência para a indústria local e quem acaba pagando um preço maior é o consumidor, pois perde competitividade com tanta barreira e proteção no setor”, avalia Milton Favaro Junior.

O executivo lembra que não são apenas os importadores independentes que trazem pneus de fora, mas também a indústria de pneus local, bem como as montadoras de veículos.

“Se elas importam pneus é porque não os produzem aqui ou não há oferta desses pneus no mercado local que atenda as especificações das montadoras. Enquanto os importadores independentes geram empregos e pagam seus impostos em dia, a indústria local realiza operações com subsídios e muitas vezes sem pagar imposto de importação, devido a acordos comerciais com alguns países. No entendimento da ABIDIP está havendo um bloqueio das importações e o maior prejudicado é o consumidor que passa a não contar com um maior volume de especificações de pneus para seus veículos. O pior de tudo isso são os preços. Quem tem o monopólio do mercado define o preço e ele é sempre caro ao consumidor”, diz.

Dados da consultoria Infonecta mostram que em 2016, a Pirelli e Michelin foram as maiores importadoras de pneus de passeio do mercado, com 19,06% e 8,22% de participação total. A Continental respondeu por 2,70%, Bridgestone 1,95%, Goodyear 1,60% e Sumitomo 1,34%.

Entre as montadoras de veículos, a BMW foi a que mais importou pneus: foram US$ 5,029 milhões, seguida pela General Motors (US$ 4,018 milhões), Honda (US$ 3,865 milhões), FCA Fiat Chrysler (US$ 3,829 milhões) e Volkswagen (US$ 3,506 milhões).

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