Brasil, 20 de Novembro de 2017
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Diabetes aumenta em 25 vezes o risco de amputações[i]

  • Escrito por  Fernanda Tintori
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Terapias avançadas para o tratamento de feridas complexas reduzem possibilidade de amputações decorrentes do pé diabético

De acordo com a Federação Internacional de Diabetes (IDF), o Brasil tem aproximadamente 14 milhões de pessoas vivendo com a doença1. Nesse universo, cerca de 1 milhão de pacientes desenvolverão úlceras e 200 mil precisarão passar por amputações, das quais cerca de 40 mil levam o indivíduo a óbito[ii].

O risco de um pessoa com diabetes sofrer uma amputação é 25 vezes maior do que o de um indivíduo sem a doença1, sendo que cerca de 10% dos pacientes[iii] podem sofrer amputação de membros inferiores, causados pelo pé diabético – infecção, ulceração ou qualquer tipo de destruição dos tecidos dos pés3.

“Esses números são muito preocupantes. Infelizmente, ao não controlar adequadamente a glicemia (nível de açúcar no sangue) e o uso correto de medicamentos, criam-se condições para o aparecimento de complicações que afetarão sensivelmente a qualidade de vida do paciente e da sua família”, esclarece o presidente da Associação Nacional de Atenção ao Diabetes (ANAD), Dr. Fadlo Fraige Filho. Entre as complicações microvasculares da doença estão os danos nos nervos – que podem levar à diminuição da sensação de dor e agravar feridas existentes nos pés – nos rins e nos olhos – que podem evoluir para insuficiência renal e cegueira, respectivamente.

Ainda de acordo com dados do Ministério da Saúde, entre 40% e 70% de todas as amputações das extremidades inferiores estão relacionadas ao diabetes[iv], sendo que 85% delas são precedidas de uma ulceração nos pés4. “Se essas lesões fossem evitadas ou tratadas adequadamente na fase inicial seria possível impedir a perda do membro, por isso é tão importante a prevenção e o controle do diabetes”, complementa o presidente da ANAD.

O problema, no entanto, é muito mais grave, pois de 15% a 19% dos pacientes submetidos a uma amputação não sabiam que tinham diabetes e foram diagnosticados apenas quando a lesão se tornou crônica e complexa3. Um em cada dois portadores de diabetes não sabe que tem a doença1.

O pé diabético também representa um problema econômico significativo, principalmente se a amputação resultar em hospitalização prolongada e reabilitação, além dos custos indiretos, relativos à perda de produtividade do paciente, às despesas individuais e à perda de qualidade de vida3. No Brasil, estimativas indicam que os custos com o diabetes chegam a US$ 3,9 bilhões ao no, sendo que o Sistema Único de Saúde (SUS) gasta cerca de US$ 2.108,00 por paciente diabético em atendimento ambulatorial2.

As taxas de amputação podem ser reduzidas em mais de 50% se forem tomados cuidados simples, como controlar a glicemia, inspecionar pés e calçados e visitar o médico regularmente3. “É importante aderir ao tratamento do diabetes que também inclui examinar periodicamente os pés e não minimizar feridas e lesões, que devem ser analisadas por um profissional de saúde para que recebam o tratamento adequado”, explica a vice-coordenadora do Programa de Mestrado e Doutorado em Enfermagem da Universidade de Guarulhos, Viviane Carvalho.

Considerado uma ferida complexa – lesão aguda ou crônica que geralmente não cicatriza espontaneamente –, o pé diabético é um problema vascular grave e na maioria dos casos exige uma abordagem multidisciplinar3. Embora ainda sejam pouco difundas, estão disponíveis no mercado soluções inovadoras para tratar feridas complexas, como curativos avançados com propriedades antimicrobianas, antiodor, regenerativa ou hidratante, que favorecem a cicatrização. Também existem tecnologias que podem ser utilizadas no ambiente hospitalar ou no tratamento domiciliar. A terapia por pressão negativa, que utiliza a pressão controlada e localizada sobre a lesão por meio de um curativo de espuma coberto por uma película e ligado a um sistema de drenagem, atua juntando as bordas da ferida, retirando o excesso de líquidos e promovendo a formação de tecidos. Já a câmara hiperbárica usa oxigênio com pressão acima da pressão ambiente para ajudar a tratar vários tipos de lesões que não cicatrizam.

[i] INTERNATIONAL DIABETES FEDERATION. IDF Diabetes Atlas, Seventh Edition – 2015. Londres, 2016. 144p.

[ii] MILECH, Adolfo et. al.; OLIVEIRA, José Egidio Paulo de (Org.), VENCIO, Sérgio (Coord.). Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes (2015-2016). São Paulo: AC Farmacêutica, 2016

[iii] PEDROSA, Hermelinda Cordeiro (Org.); Grupo de Trabalho Internacional sobre Pé Diabético. Consenso Internacional sobre Pé Diabético. Brasília: Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal, 2001. 100p.

[iv] MINISTÉRIO DA SAÚDE. Estratégias para o cuidado da pessoa com doença crônica: diabetes mellitus. Brasília: Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica, 2013. 160p.

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