A gordura saturada do óleo de coco extra virgem não é vilã
Estudos atualizados apontam para óleo de coco extra virgem com alternativa saudável
Por Monica Coronel
Entre as novas ‘vedetes’ da culinária brasileira, o óleo de coco extra virgem vem ganhando destaque como um alimento que possibilita maior ganho de energia e também a aceleração do metabolismo para a queima de gorduras. Mas, assim como toda ‘estrela’, está sujeito às críticas, e, observando bem, um tantinho de inveja dos antigos protagonistas da lista dos óleos vegetais. Afinal, dividir as prateleiras com o jovem óleo de coco extra virgem não dever ser muito fácil. Mas calma, há espaço para todos!
O ‘disse que me disse’ sobre as reais propriedades do óleo de coco extravirgem merecem agora maiores esclarecimentos, principalmente do nosso único fabricante nacional, que é uma indústria de alimentos de Maceió, a Copra, pioneira na fabricação do produto e responsável pelo alastramento do conceito desta gordura saturada no mercado, e que foi tão criticada no passado, mas que retornou à mesa do brasileiro, agora com o respaldo da pesquisa.
A maior dúvida do consumidor é quanto à ação termogênica do óleo de coco extra virgem, que ganhou a fama e muitas capas das principais revistas relacionadas ao tema do emagrecimento e já citado como milagroso. Entretanto, não há mágica! Mas afinal, a sua contribuição para o emagrecimento e um mito ou é verdade? A nutróloga e consultora em alimentação natural, Membro da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN), Dra. Tamara Mazaracki afirma: não é mito! Vamos à entrevista.
Abaixo, a entrevista com a especialista, que observa a intervenção de informações veiculadas na mídia - recentemente de forma equivocada - esclarecendo assim ao consumidor sobre os resultados já obtidos com as pesquisas.
“Outro estudo, também de 2011, feito na Universidade da Dinamarca e publicado pela American Society for Clinical Nutrition, comparou a ação do óleo de palma (ou dendê) com o azeite e a banha de porco, no nível de lipídios circulantes no plasma sanguíneo (triglicerídeos), e de marcadores inflamatórios, glicose e insulina. Composição de gorduras: 100 gramas de óleo de dendê contem 82 gramas de gordura saturada, sendo que 47 g de láurico, 16,4 g de mirístico, 8,1 g de palmítico e 2,8 g de esteárico. (Para efeito de comparação, gostaria de citar que 100 gramas de óleo de coco contem 86 g de gordura saturada, sendo 44.6 g de láurico, 16,8 g de mirístico, 8,2 g de palmítico e 2,8 g de esteárico. Ambos os óleos são muito semelhantes na sua composição lipídica). Comparado com o azeite, houve um discreto aumento no teor de colesterol com o dendê e a banha, porém os níveis de triglicerídeos foram muito mais baixos no dendê do que no azeite. Os autores concluem dizendo que este estudo não encontrou evidências que suportem os estudos anteriores, onde óleos com alto teor de ácido láurico foram considerados danosos.
E para finalizar, quero citar uma meta-análise de 60 estudos sobre o efeito das gorduras e carboidratos nos níveis de colesterol e lipídios sanguíneos. Ela foi publicada em 2003 pela American Society for Clinical Nutrition, e foi realizada por pesquisadores de duas universidades holandesas. Os efeitos da gordura ingerida no risco de doença arterial coronariana sempre foram estimados a partir de seus efeitos sobre o colesterol LDL. Gorduras, no entanto, também afetam o colesterol HDL, e a proporção de colesterol total para colesterol HDL é um marcador mais específico de doença cardíaca do que simplesmente o nível de colesterol LDL. O ácido láurico aumentou o nível de colesterol total, mas foi por seu efeito positivo sobre o colesterol HDL. Portanto óleos ricos em ácido láurico melhoraram a proporção entre colesterol total e colesterol HDL, exercendo um efeito cardioprotetor (em 60 estudos). Mirístico e palmítico tiveram pouco efeito sobre a relação e ácido esteárico reduziu a proporção ligeiramente. Nas dietas onde a substituição de gorduras foi feita com carboidratos, houve aumento nas concentrações de lipídios sanguíneos, os triglicerídeos”.
Cequal Comunicação - É possível observar que uma clara mudança no conceito do uso de gordura nos últimos anos. Até recentemente era preconizado o uso de 7% de gordura saturada do total das calorias ingeridas Agora, o limite foi estendido a 10%. A que podemos atribuir essa mudança?
Dra. Tamara - O entendimento sobre o papel bioquímico das diferentes gorduras no organismo é um tema apaixonante e ainda muito incompreendido. Os cientistas, pesquisadores, médicos, nutricionistas, mídia e órgãos governamentais nos passam informações conflitantes e muitas vezes alheias à realidade dos fatos, baseando-se em pesquisas que apresentam muitas falhas em sua condução. Assim, durante muitos anos o ovo - e a sua gordura- foi acusado, injustamente, de entupir artérias; a margarina foi considerada a redenção dos vasos sanguíneos ameaçados pelo colesterol e a manteiga caiu em desgraça, o que provou ser uma inverdade. Hoje já sabemos que as gorduras saturadas são nossas amigas e necessárias para a plena saúde. Claro que todo exagero pode causar um desequilíbrio alimentar e ter consequências adversas.
Cequal Comunicação - Há um artigo da revista Veja, da última semana de junho, que cita um estudo muito interessante realizado pela Universidade de Harvard, comparando gordura e carboidratos na saúde vascular. Poderia comentar o que é mito e o que é verdade?
Dra. Tamara - A gordura saturada não é a vilã, e sim o excesso de carboidratos simples, que fazem parte cada vez maior da nossa alimentação, tendo como consequência o peso extra que acumulamos e o aumento da incidência de doenças cardiovasculares. No estudo, metade das mulheres participantes caprichou na gordura, a outra metade nos carboidratos, e espantosamente, quem não se furtou à manteiga e ao torresmo, recebeu como bônus 6% de redução na aterosclerose! O grupo dos carbos teve piora na progressão do entupimento das artérias. Quando se come muito carboidrato existe uma liberação excessiva de insulina, e este carboidrato vai acabar se transformando em gordura, armazenada na cintura, nos órgãos internos (gordura visceral) e também nos vasos sanguíneos. O maior problema dos dias atuais é a epidemia de obesidade que vivenciamos de forma globalizada, e que foi definida como globesidade.
Luz sobre o conhecimento: gordura satura não é ruim
Cequal Comunicação Já é possível observar estudos que apontam para a gordura saturada como não sendo maléfica, se não consumida em demasia e essa avaliação influenciou uma na observação da cromatografia - tecnologia capaz de analisar a composição molecular dos nutrientes dos alimentos -. Baseada nessa nova realidade, como poderíamos classificar a gordura saturada encontrada no óleo de coco extra virgem? Sobretudo o do nosso produto nacional?
Dra. Tamara - Existe uma verdadeira fobia em relação à ingestão de gorduras, principalmente as saturadas. Isto porque os hábitos alimentares de todo o mundo mudaram devido às pesquisas de Ancel Keys, publicadas no início dos anos 60. Keys demonizou as gorduras e sua possível ação no aumento do colesterol e na incidência de doenças cardiovasculares. Muitas pesquisas e estudos, depois, descobriram que ele estava errado. Parece que a luz sobre o conhecimento começa a emergir, porém ainda há muitos erros e desconhecimento sobre o assunto. O artigo da revista Veja cita: “A mais perniciosa, quando ingerida em abundância, é a do óleo de coco, chamada láurica. Aos que aderiram à onda recente das pílulas de óleo de coco para emagrecer, fica o alerta. Em vez de uma silhueta enxuta, há o risco da multiplicação de artérias entupidas por moléculas de gordura láurica”.
Nada poderia estar mais longe da verdade. Inúmeros estudos comprovam os benefícios do ácido láurico na saúde dos vasos sanguíneos e no aumento do colesterol bom (HDL), melhorando a relação entre HDL e LDL, o que ajuda a proteger o aparelho cardiovascular.
Cequal Comunicação - Poderia esclarecer sobre o ácido láurico, suas propriedades, pois também há desencontro de informações, relacionadas a essa propriedade do óleo de coco extra virgem.
Dra. Tamara -Para começar, é interessante notar que o leite materno, o primeiro e único alimento ofertado ao bebê recém-nascido, contém um alto teor de gorduras saturadas. Para se ter uma idéia, em 100 gramas de leite materno há 4.4 g de gordura, sendo 2 g do tipo saturada, 1,7 g do tipo monoinsaturada (ácido oléico, assim como no azeite), e 0.5 g do tipo poliinsaturado. Das saturadas, metade é de palmítico e a outra metade está em proporção semelhante para o láurico, mirístico e esteárico. A natureza é sábia. Não faria sentido se o nosso primeiro alimento fosse um vilão e já começar a entupir as nossas artérias desde os primeiros dias de vida! Algumas pesquisas recentes mostram bem o papel benéfico do ácido láurico no quesito colesterol e triglicerídios. Um estudo de 2011, feito na Universidade Nacional da Malásia (um dos maiores produtores de coco do mundo) e publicado no Journal of American College of Nutrition, testou o nível sanguíneo de lipídios (colesterol total, colesterol LDL e HDL, e triglicerídios), após a ingestão de diferentes tipos de gorduras saturadas. Vinte voluntários saudáveis foram separados em três grupos que fizeram três refeições diárias contendo 31 % de gorduras: um grupo consumiu ácido láurico+mirístico (as duas mais perigosas, de acordo com o artigo da Veja, foram associadas), outro consumiu ácido palmítico, e outro ácido esteárico. As coletas de sangue ocorreram em jejum e 2, 4, 5, 6, e 8 horas após as refeições. A conclusão foi que houve aumento do colesterol total no grupo láurico+mirístico devido a uma elevação de 14% no colesterol bom (HDL). Os triglicerídeos (lipídios circulantes no plasma, tão ou mais perigosos que o LDL) permaneceram elevados por 2 horas no grupo láurico+mirístico, por 4 horas no grupo palmítico e por 5 horas no grupo esteárico.
Cequal Comunicação – E quanto às afirmações que apontam para o aumento do colesterol com o uso do óleo de coco extra virgem? Mito ou verdade?
Dra. Tamara -Há estudos citando que a gordura de coco aumenta o colesterol, porém é importante notar que nestes estudos os pesquisadores alimentaram os animais com gordura de coco que foi alterada, hidrogenada, e a dieta foi completamente desprovida de qualquer ácido graxo essencial. Como consequência, os animais alimentados com esta gordura de coco hidrogenada (única fonte de gorduras no estudo) tornaram-se deficientes em ácidos graxos essenciais; e seus níveis de colesterol no sangue subiram. Dietas com deficiência de ácidos graxos essenciais produzem uma elevação do colesterol no sangue e um aumento nos índices de aterosclerose. O mesmo efeito ocorre quando outros óleos altamente hidrogenados como algodão, soja e milho são utilizados como fonte principal de gordura; a conclusão clara é que o colesterol se eleva em função dos produtos hidrogenados, em razão dos ácidos graxos trans.
Cequal Comunicação - Poderia citar um paralelo com outras pesquisas?
Dra. Tamara Sim. Por outro lado, há outro resultado com animais nutridos com gordura de coco in natura. Hostmark et al (1980) compararam os efeitos das dietas contendo 10% de gordura de coco e 10% de óleo de girassol na distribuição das lipoproteínas em ratos machos Wistar. Aqueles alimentados com gordura de coco produziram níveis significativamente mais baixos de colesterol mau (LDL) e níveis mais altos de colesterol bom (HDL) quando comparados com os nutridos com óleo de girassol. Outro estudo foi feito por Awad (1981) que alimentou ratos Wistar com uma dieta com 14% de gordura de coco natural ou com 14% de óleo de girassol. O acúmulo de colesterol nos tecidos de animais na dieta com óleo de girassol foi seis vezes maior do que nos nutridos com gordura de coco.
Relação direta do aumento do bom colesterol – HDL – com o uso da gordura/óleo de coco.
Cequal Comunicação - E pesquisas com seres humanos?
Estudos epidemiológicos realizados por Kaunitz e Dayrit (1992) em povos que se alimentam com gordura de coco (Porto Rico, Filipinas, Indonésia) detectaram que não havia elevação de doenças coronárias. Estes autores também reportaram que quando os habitantes do Sri Lanka mudaram sua dieta com gordura natural de coco para o óleo de milho, seus níveis de LDL reduziram 23,8%, o que parece bom. No entanto, os níveis de HDL baixaram drasticamente 41,4%, o que não é nada bom. A relação LDL/HDL ficou desfavorável, a ação protetora do HDL contra o LDL ficou prejudicada, o que significa maior incidência de doenças cardiovasculares. O bom colesterol HDL está encarregado de prevenir a aterosclerose e doenças do coração, quanto mais HDL circulante, menos colesterol ruim (LDL) vai ser depositado dos vasos sanguíneos. Outra pesquisa feita por Tholstrup (1994) com alimentação rica em azeite de dendê natural, também grande fonte de ácido láurico e ácido mirístico, detectou que os níveis do colesterol HDL aumentaram significativamente, melhorando a saúde cardiovascular.
Nota - Mary Enig, pesquisadora renomada e reconhecida, e autora de vários livros sobre o papel das gorduras na saúde humana, baseou-se na quantidade de ácido láurico presente no leite materno, para sugerir que se consuma até 24 gramas de ácido láurico diariamente, como uma média para os adultos, compondo uma dose terapêutica. Esta quantidade pode ser conseguida com cinco colheres de sopa de óleo de coco. Com toda a segurança e sem a menor possibilidade de entupir as artérias.
The Chain Length of Dietary Saturated Fatty Acids Affects Human Postprandial Lipemia.
T Karupaiah et al. National University of Malaysia, Kuala Lumpur, MALAYSIA 2011Journal of American College of Nutrition. Objective: Saturated fats increase total cholesterol (TC) and low density lipoprotein-cholesterol (LDL-C) and are linked to coronary artery disease risk. The effect of variance in chain length of saturated fatty acids (SFA) on coronary artery disease in human postprandial lipemia is not well elucidated. Methods: A total of 20 healthy volunteers were challenged with 3 test meals, similar in fat content (∼31% en) but varying in saturated SFA content and polyunsaturated/saturated fatty acid ratios (P/S). The 3 meals were lauric + myristic acid-rich (LM), P/S 0.19; palmitic acid-rich (POL), P/S 0.31; and stearic acid-rich (STE), P/S 0.22. Blood was sampled at fasted baseline and 2, 4, 5, 6, and 8 hours. Plasma lipids (triacylglycerol [TAG]) and lipoproteins (TC, LDL-C, high density lipoprotein-cholesterol [HDL-C]) were evaluated. Results: Varying SFA in the test meal significantly impacted pos
tprandial TAG response (p < 0.05). Plasma TAG peaked at 5 hours for STE, 4 hours for POL, and 2 hours for LM test meals. Area-under-the-curve (AUC) for plasma TAG was increased significantly after STE treatment (STE > LM by 32.2%, p = 0.003; STE > POL by 27.9%, p = 0.023) but was not significantly different between POL and LM (POL > LM by 6.0%, p > 0.05). At 2 hours, plasma HDL-C increased significantly after the LM and POL test meals compared with STE (p < 0.05). In comparison to the STE test meal, HDL-C AUC was elevated 14.0% (p = 0.005) and 7.6% (p = 0.023) by the LM and POL test meals, respectively. The TC response was also increased significantly by LM compared with both POL and STE test meals (p < 0.05). Conclusions: Chain length of saturates clearly mediated postmeal plasma TAG and HDL-C changes. Palm olein increases plasma cholesterol moderately compared with olive oil in healthy individuals. Tholstrup et al. Research Department Human Nutrition, Faculty of Life Sciences, Copenhagen University, Denmark
. 2011 American Society for Clinical Nutrition. Objective: The objective was to investigate the effects of a diet rich in palm olein, fractionated palm oil, olive oil, and lard on plasma blood lipids, inflammatory markers, glucose, and insulin. Results: Compared with intake of olive oil, palm olein and lard increased total cholesterol and LDL cholesterol (P < 0.0001). Palm olein resulted in a lower plasma triacylglycerol concentration than did olive oil (P < 0.01). No difference in effects was observed in plasma HDL-cholesterol, high-sensitivity C-reactive protein, plasminogen activator-1, insulin, and glucose concentrations. Conclusions: The current study did not support the previous finding that the effect of palm olein on total plasma cholesterol and LDL cholesterol in healthy individuals with normal plasma cholesterol concentrations is neutral compared with that of olive oil. Thus, sn-positioning was not confirmed to be important with regard to the effect on plasma cholesterol. The relatively lower pl
sma triacylglycerol concentration after the palm olein diet than after the olive oil diet was unexpected. This trial is registered at clinicaltrials.gov as NCT00743301. Effects of dietary fatty acids and carbohydrates on the ratio of serum total to HDL cholesterol and on serum lipids and apolipoproteins: a meta-analysis of 60 controlled trials. P. Mensink et al. Departments of Human Biology and Methodology and Statistics, Maastricht University, Netherlands, and the Wageningen Centre for Food Sciences and Division of Human Nutrition and Epidemiology, Wageningen University, Netherlands. 2003 American Society for Clinical Nutrition
Background: The effects of dietary fats on the risk of coronary artery disease (CAD) have traditionally been estimated from their effects on LDL cholesterol. Fats, however, also affect HDL cholesterol, and the ratio of total to HDL cholesterol is a more specific marker of CAD than is LDL cholesterol. Objective: The objective was to evaluate the effects of individual fatty acids on the ratis of total to HDL cholesterol and on serum lipoproteins. Design: We performed a meta-analysis of 60 selected trials and calculated the effects of the amount and type of fat on total:HDL cholesterol and on other lipids. Results: The ratio did not change if carbohydrates replaced saturated fatty acids, but it decreased if cis unsaturated fatty acids replaced saturated fatty acids. The effect on total:HDL cholesterol of replacing trans fatty acids with a mix of carbohydrates and cis unsaturated fatty acids was almost twice as large as that of replacing saturated fatty acids. Lauric acid greatly increased total cholesterol, but
much of its effect was on HDL cholesterol. Consequently, oils rich in lauric acid decreased the ratio of total to HDL cholesterol. Myristic and palmitic acids had little effect on the ratio, and stearic acid reduced the ratio slightly. Replacing fats with carbohydrates increased fasting triacylglycerol concentrations.
Conclusions: The effects of dietary fats on total:HDL cholesterol may differ markedly from their effects on LDL. The effects of fats on these risk markers should not in themselves be considered to reflect changes in risk but should be confirmed by prospective observational studies or clinical trials. By that standard, risk is reduced most effectively when trans fatty acids and saturated fatty acids are replaced with cis unsaturated fatty acids. The effects of carbohydrates and of lauric acid–rich fats on CAD risk remain uncertain.