A Emcure, empresa indiana, fará a transferência de tecnologia para que a Biolab desenvolva localmente moléculas quirais.
A joint venture entre a Biolab Farmacêutica e a Emcure foi assinada quarta-feira (13) por Cleiton de Castro Marques, CEO da Biolab, e Ak Khanna, executivo da Emcure, na presença do Ministro do Comércio, Indústria e Têxteis da Índia, Anad Sharma. Biolab-Emcure terá uma fábrica no Brasil na cidade de Taboão da Serra (SP) e fornecerá matéria-prima para o desenvolvimento de moléculas quirais no País. O relacionamento com a Emcure começou há dois anos, quando a Biolab iniciou a negociação da licença de fabricação local de uma molécula inovadora para o tratamento da hipertensão.
Segundo Cleiton Marques, a escolha pela Emcure se deu especialmente pelo perfil inovador da indiana, muito semelhante ao da Biolab. “Está no DNA da companhia investir em inovação. Na Índia, um país geralmente associado a genéricos, a Emcure se diferencia por fazer inovação”, explica o CEO.
A joint venture é uma iniciativa da Biolab prevendo um futuro próximo. “Como é muito alto o número de moléculas que terão suas patentes terminadas em 2012, muito em breve não haverá mais moléculas para se trabalhar. Precisaremos de moléculas novas e isso só ocorre com pesquisa e inovação”, alertou Cleiton.
Em um país com uma indústria farmacêutica de 30 mil laboratórios, a Emcure se posiciona no 15o lugar e se destaca por ser especializada em química quiral. “Uma molécula quiral tem os dois lados iguais, porém, apenas um deles possui o efeito terapêutico. A tecnologia da quiralidade permite separá-los e usar apenas a parte com as propriedades desejadas”, explica o CEO da Biolab. No caso da molécula usada para a hipertensão (anlodipino), com essa tecnologia, é possível manter as ações terapêuticas e reduzir significativamente os efeitos colaterais, que são os edemas nos membros inferiores. O Novanlo é o primeiro produtos que será comercializado pela Biolab e que já terá a tecnologia da quiralidade desenvolvida pela Emcure. A previsão é que Novanlo esteja no mercado em 45 dias.
A joint venture com a Emcure é a terceira experiência da Biolab com este tipo de parceria. Em 2009, surgiu a Merz-Biolab com a toxina botulínica Xeomin. Este ano, a Orygen veio da união entre Biolab, Libbs, Eurofarma e Cristália e focará no desenvolvimento, produção, distribuição e comercialização de produtos de biotecnologia farmacêutica. Com a transferência da tecnologia da Emcure, a Biolab trabalhará na obtenção e desenvolvimento local de moléculas quirais.
“A Emcure possui operação em mais de 40 países, tem a mesma filosofia que a Biolab e já lançou e patenteou mais de 10 produtos com a tecnologia da quiralidade. O cenário é muito promissor e temos grandes expectativas”, afirmou Cleiton Marques. Segundo o CEO, os investimentos para os próximos meses serão da ordem de US 20 milhões.