Brasil, 20 de Agosto de 2017
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TOKIO MARINE SEGURADORA

Quem fechará seus olhos?

  • Escrito por  Bruna Raicoski
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Título de obra da espanhola Virginia Mendoza, que propõe o tema mais instigante da existência: a perda das raízes de nossas vidas.



Em São Paulo vemos em todos os fins de semana as estradas repletas. Não só em direção às praias, mas também às terras onde nascemos e onde deixamos, em geral, avós, pais, tios, irmãos, para entrar na roda gigante do capitalismo.

Não podemos ser contrários ao único sistema que preponderou no planeta. Mas não seria a hora de democratizar não somente a política, a sociedade, mas o capitalismo, a economia, num mágico e amaciante retorno aos povos onde vimos pela primeira vez a vida? Não estaríamos na hora de promover uma migração inversa, de nos distribuir entre as raízes, num retorno a elas, que participam da natureza de todos os homens, de povoar o que foi despovoado por um processo cego de desenvolvimento concentrado?

Não seríamos seres arrependidos, tomados por remorsos ocultos, embora justificáveis, ao termos deixado aqueles povos vazios, em que, aqui e acolá, crescem ainda velhos gravetos de todas as vidas? Com desculpas pela recorrência, não estaremos num momento em que não mais enxergamos o futuro nas grandes concentrações urbanas, de mudar paradigmas, num movimento de resgate do modo de ser que nos fez meninas e meninos e que perdemos por imposição de um modelo econômico?

Tal volta nada tem de reacionária, conservadora ou idílica. Os bens da vida que o capitalismo soube criar não têm necessariamente de estar concentrados em grandes conglomerados urbanos, deixando para trás a solidão das mães, que choram pelas ausências sem o sabermos. É óbvio que o homem não tem de ser necessariamente gregário, movem-no um impulso constante para viajar, deslocar-se, provável herança dos primevos da linhagem, caçadores e coletores, mas é plenamente possível conciliar valores, preencher novamente nossos povos despovoados e neles voltar a fincar estacas e estancar a sangria existencial dos que nos geraram, ao mesmo tempo em que nos completar, não apenas nos penosos fins de semana de bate e volta.

Ainda que inicialmente tenhamos de renunciar a certas "comodidades" do capitalismo e, por vezes, trocar o diálogo com nosso celular por uma conversa com um cavalo, ou fixar as vistas nas folhas de relvas. Não vamos, não raro, ao exterior em buscas do passado desconhecido e misterioso, no qual sempre imaginados ancestrais se fizeram as sementes? Na expressão de C.G.Jung ("O espírito na arte e na ciência", Vozes, p.67), "Naturalmente, todos tiveram pais e todos têm um pretenso complexo de pais e mãe; todos possuem sexualidade e, por isso também, certas dificuldades típicas e outras, comuns ao ser humano. Um poeta pode ter sido influenciado mais pela relação com o pai, outro, pela ligação com a mãe e finalmente um terceiro pode demonstrar, através de suas obras, traços inconfundíveis de repressão sexual; tudo isso pode ser atribuído tanto a neuróticos como a todas as pessoas normais... Na melhor das hipóteses, ampliamos e aprofundamos o conhecimento dos pressupostos históricos." Em última análise, poetas somos todos.

A evolução do agronegócio está aí, a modernização dos rincões é possibilidade real que nos dizem a todo instante os elétrons que insistem em nos reconduzir a suas casas originais. O resultado histórico seria o desmonte dessas insuportáveis metrópoles, que nos sacrificam diariamente.


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