Brasil, 21 de Agosto de 2017
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12ª Mostra Mundo Árabe de Cinema: programação de filmes no Cinesesc e concerto inédito de música na Sala São Paulo convidam a refletir sobre os deslocamentos humanos e as conexões culturais

  • Escrito por  Ana Paula
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Com 11 produções inéditas no Brasil, entre elas, o clássico libanês “Para onde ir?”, o primeiro filme sobre a imigração árabe para o Brasil (1957), e “Fora do Quadro: Revolução até a Vitória” (França, Palestina, Líbano e Catar), exibido recentemente no Festival de Berlim, além do espetáculo musical “Al-Mu’tamid”, edição de 2017 tem como tema “Territórios que nos atravessam”. O libanês Rami Nihawi, diretor do filme Yamo e produtor do filme “Fora de Quadro”, será o convidado especial da Mostra e participará de encontros com o público.

Um concerto de música árabe e ibérica inédito no Brasil e uma programação de 11 filmes compõem a 12ª Mostra Mundo Árabe de Cinema, que será promovida de 9 a 16 de agosto no Cinesesc, em São Paulo.

Com realização do Instituto da Cultura Árabe – ICArabe e do Sesc-SP - Serviço Social do Comércio e copatrocínio da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, a edição deste ano traz como tema principal “Os territórios que nos atravessam”. “Os filmes tratam do deslocamento de pessoas, assim como da reconstrução de um sentido de lugar, das dúvidas que assolam aqueles que decidem, ou são forçados, a sair. Qual o momento decisivo para aqueles que deixam suas casas? Como esta decisão é tomada? Qual a perspectiva temporal, qual a ideia de futuro para aqueles que são proibidos de retornarem às suas casas? Imagem e som são formas de permanência, de perpetuação de narrativas daqueles que migram ou que estão sujeitos ao exílio e o refúgio. Neste sentido, a Mostra trará também filmes que são registros de momentos históricos importantes, particularmente para aqueles, como os palestinos, cujos arquivos são objeto de um duplo apagamento, material e simbólico”, ressalta o curador da Mostra, Geraldo Adriano Campos.

Entre os destaques, está o filme de abertura, o libanês “Para onde ir?” (Ila Ayn/1957), de Georges Nasser, que trata da migração de um pai de uma família libanesa - de um pequeno povoado do país - ao Brasil. O filme, que completa 60 anos, é uma das obras mais especiais da edição deste ano, não só por envolver narrar a história das famílias de milhões de brasileiros, mas também por ter sido um marco na cinematografia árabe (primeiro filme libanês exibido em Cannes) que foi restaurado digitalmente em uma cópia de excepcional qualidade.

Na sessão “Cinema Palestino”, “Fora do Quadro: Revolução até a Vitória” aborda a história e o desenvolvimento do cinema militante no Oriente Médio. O produtor Rami Nihawi, será o convidado especial da Mostra e participará de encontros com o público.

Além disso, pela primeira vez no Brasil será exibido um filme de Comores (“Cinzas de Sonhos”), uma parte do mundo árabe desconhecida no Brasil, mas que apresenta conexões diretas com as matrizes africanas de nossa cultura.

Música árabe e ibérica

O tema da Mostra também é a ideia central no projeto Al Mutamid, que apresentará na Sala São Paulo, no dia 12 de agosto, o espetáculo Al-Mu’tamid, poeta rei do Al-Andalus (1040/1095) - Uma Viagem por dez séculos de música e interculturalidade, uma realização da Fundação Osesp, do ICArabe e da Câmara Árabe. Inédito no Brasil, o espetáculo apresentará a música e a poesia do século XI, seguindo a rota do rei-poeta Al Mut’amid no norte da África e Andaluzia.

Um conjunto de músicos e intérpretes cantam os poemas do Rei Al Mut’Amid nas línguas dos três países herdeiros do legado andalusino: Filipe Raposo, Janita Salomé e Quiné Teles de Portugal; Eduardo Paniagua e Cezar Carazo de Espanha; El Arabi Serghini e Jamal Ben Allal de Marrocos. O concerto é acompanhado pela projeção de imagens que documentam a viagem pelo território da sua vida, testemunhando e atualizando todo o imaginário de uma relação territorial e cultural secular.

Participar da realização desse espetáculo tem um valor especial para a Câmara de Comércio Árabe-Brasileira. Este ano, a entidade está comemorando 65 anos de atuação no Brasil e a realização deste concerto, que já foi apresentado em algumas das principais salas de espetáculo da Europa e do mundo árabe, engrandece o calendário de comemorações pela data. “Estamos, uma vez mais, cumprindo o papel de integrar as culturas árabe e brasileira, oferecendo uma mensagem de coexistência entre diferentes povos e culturas por intermédio da arte”, comenta a diretora de Cultura da Câmara Árabe, Silvia Antibas. Ela acrescenta ainda que o espetáculo mostra um dos caminhos da influência da música árabe na formação da música brasileira, através dos sons e tons ibéricos e mediterrâneos.

“Trata-se de um espetáculo que diz muito da nossa história, do Brasil e de São Paulo, de hoje e do passado”, diz o diretor executivo da Fundação Osesp, Marcelo Lopes. “A Sala São Paulo abre suas portas para um concerto inédito, com raízes árabes e ibéricas, potencializando o motivo condutor da Temporada Osesp 2017, Mundo Maior, procuramos apresentar e explorar manifestações artísticas que abraçam e expandem, que dialogam com as diversas culturas, que nos formam como povo e transformam a nossa cosmovisão” explica Lopes.

“Ao trazer pela primeira vez para o público brasileiro essa experiência de uma viagem pela Andaluzia do século XI, o espetáculo nos remete ainda a um outro Brasil, às camadas históricas que fazem parte da formação da própria música brasileira em suas matrizes árabes e ibéricas”, afirma Geraldo Adriano Campos, também curador do espetáculo.

“Num tempo em que se assiste a fortes clivagens culturais e religiosas, alimentadas por velhos e novos conflitos político-territoriais, é particularmente pertinente reavivar os valores de um legado cultural que deve a sua longevidade precisamente à diversidade de povos e culturas, religiões e cultos, tradições e costumes, tecidos ao longo de séculos de convivência, de cruzamentos e de reciprocas influências, realizando esta possibilidade através deste grupo de músicos e da linguagem universal que a música constitui, vincula uma verdadeira mensagem de paz”. Reflete Carlos Gomes, da Produtora Transiberia, que idealizou o espetáculo.

 

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