Brasil, 28 de Setembro de 2016
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TOKIO MARINE SEGURADORA

Eco ecoa. Ecoará sempre

Por Manoel Marcondes Machado Neto, relações-públicas, professor associado da UERJ, doutor pela USP, cofundador do Observatório da Comunicação Institucional (OCI).

‘Pintar é como um jorro’ (Alberto Kaplan);

‘If you can dream it you can do it’ (Andersen Viana)

‘A minha música não é de levantar poeira, mas pode entrar no barracão’(Tom Jobim)

Ao completar trinta anos de magistério, lidando com diferentes disciplinas, tais como Gestão de Projetos Culturais, Gestão de Organizações Não Governamentais, Introdução à Administração, Fundamentos de Marketing, Assessoria de Relações Públicas, Projetos de Pesquisa em Negócios e Comunicação para a Transparência, cheguei a uma única e singela conclusão: o impulso criativo do acadêmico em pouco ou nada difere do ímpeto, do jorro criador do artista.

Umberto Eco, em entrevista concedida ao Caderno ‘Mais’, da Folha de São Paulo, em 1993, disse algo que si non è vero, è bem trovato: “Todas as pessoas têm uma única coisa a dizer. E fazem isso por toda a vida”.

O grande professor – que acabamos de perder para a eternidade – não admitia este pensamento como seu. Dizia que fora um seu professor dos tempos do ginásio o autor de tão enigmática expressão. Afinal, a frase soa como uma sentença, algo cheia de mistério e predestinação – nada menos científico para sair da boca de um dos mais influentes pensadores do nosso tempo. Fica mais palatável, pois, imaginá-la nas falas cansadas de um obscuro docente divagando à frente de colegiais enfadados no interior da Itália dos anos 1940.

Porém... e sempre há um porém... a expressão pode fazer muito sentido se analisarmos a vida de alguns expoentes da humanidade que passaram toda uma vida, toda uma trajetória, perseguindo um único objetivo. Erraticamente, às vezes. Obstinadamente, na grande maioria das vezes. E as falhas, que não conhecemos – milhares delas –, confirmam as poucas dezenas de histórias que vêm a público como legítimos sucessos do engenho humano.

O primeiro expoente – das Ciências – que me vem à cabeça é Charles Darwin. O segundo, o óbvio Albert Einstein. O terceiro – um brasileiro – Alberto Santos Dumont.

Das artes, cito Leonardo da Vinci, Pablo Picasso e, mais um ‘brazuca’ (mesmo que mezzo a mezzo italiano); Alberto Volpi.

Não vou mencionar os casos – mas os há, até em abundância – de personalidades que transitaram com êxito retumbante entre ambos os campos, das Ciências e das Artes, e que inspiraram Gilberto Gil em sua obra ‘Quanta’ – talvez ele mesmo alguém que poderíamos citar como um ‘híbrido’ das Ciências (administrativas, no caso, já que se graduou em marketing e muito bem conduziu os negócios de sua carreira) e das Artes (no campo da música, mais especificamente).

Criatividade, disciplina, perseverança, ‘antenação’ e arrojo são características comuns a ambas as ‘categorias’ de seres humanos; tanto artistas quanto cientistas. E apresso-me a explicar o ‘neologismo’ proposto. Alguns prefeririam utilizar ‘sintonia’, mas sintonia pede um complementar objeto direto... sintonia com o quê? Outros prefeririam, talvez, ‘inspiração’, mas Tom Jobim entre outros gênios, já desmistificaram a inspiração ‘celestial’, colocando no lugar a (bastante) física transpiração necessária – e que já está contabilizada nos quesitos disciplina e perseverança.

‘Antenação’, pois, parece-me o termo adequado para aquele momento pre-insight. É preciso estar ‘antenado’ com o mundo exterior (o que também desfaz outra mística em torno do artista, a do ensimesmado cultor do ‘eu interior’ que a tudo suplanta – tornando o artista uma espécie de ser impenetrável e voltado ao próprio umbigo).

Outra coisa: todo artista é um empreendedor nato... Sim, pois escrever poemas ou textos em prosa prenuncia o show da leitura ou da declamação, além do sonho com o suporte dos suportes: um livro!

E outra mais: descobriu-se que a música precedeu as pinturas rupestres como arte humana. Em milhares de anos. E o que será a composição rabiscada em pentagramas e guardada numa gaveta? Arte? Para o mesmo Umberto Eco, não. A tal partitura precisaria, para cumprir seu nobre papel de música, das inescapáveis execução e audição, unindo – num momento e lugar – artista e plateia; mesma condição das demais artes performáticas – da dança, do teatro, da ópera e do circo.

A obra de arte só se conclui quando fruída. Esta, aliás, a principal lição d’il professore Eco em seu – ótimo, necessário, insubstituível – “Obra aberta”.

Sobre o autor Manoel Marcondes Machado Neto - é doutor em Ciências da Comunicação pela USP, pesquisador e professor associado da Faculdade de Administração e Finanças da UERJ. É cofundador do Observatório da Comunicação Institucional e líder do grupo de pesquisa "Gestão e Marketing na Cultura” junto ao CNPq. É autor de quatro títulos de referência na área comunicacional e coautor de outros três títulos. Secretário-geral do Conrerp1 entre 2010 e 2012, foi eleito “relações-públicas do ano” em 2013. Edita o portal www.marketing-e-cultura.com.br

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