Brasil, 30 de Setembro de 2016
A- A A+

TOKIO MARINE SEGURADORA

Feirão Caixa da Casa Própria, o que restou de bom do ciclo virtuoso

Em 2004, o volume de crédito imobiliário no mercado brasileiro não passava de R$ 4 bilhões e ainda pairava a resistência cultural da população ao financiamento imobiliário, depois da ultima década de penúria frente ao mercado inflacionário e queda dos preços dos imóveis constituídos como garantias hipotecárias.

Nesse mesmo ano, a Caixa Econômica Federal, que herdou o legado do extinto BNH e que já constituía a inteligência e melhor competência para o crédito da “habitação” iniciou uma grande estratégia de marketing denominada Feirão Caixa da Casa Própria. O principal objetivo da estratégia era comunicar a população brasileira resistente ao endividamento, sobre as vantagens de contratar uma Carta de Crédito, nos funding FGTS, ou SBPE, de acordo com a renda familiar, com foco na moradia. Na época não se pensava em desovar estoques e muito menos reunir muitos ofertantes no mesmo local, devido ao pequeno número ofertas e mercado ainda insipiente.

Os anos que se sucederam trouxeram estabilidade econômica, regras claras e duradouras e os players foram aceitando o convite e a provocação do Feirão. Do lado ofertante, um número cada vez maior de bons empreendedores, incorporadoras e construtoras, e no meio, o mercado intermediário competente, constituído por imobiliárias, corretores e seus arranjos inteligentes. No fim da cadeia, o consumidor comprando imóveis para moradia ou investimento.

Catalisando este processo, a Caixa disponibilizou crédito e serviços de boa qualidade, investindo em capacitação de seus profissionais e em rede de atendimento com a criação dos correspondentes imobiliários. E o governo, que não atrapalhava, criou o Programa Minha Casa Minha Vida, numa medida anticíclica com a crise de 2008, que merece abordagem em texto exclusivo.

Com este ambiente propício e suas boas condições de “temperatura e pressão” o volume de crédito imobiliário saltou dos R$ 4 bilhões para R$ 135 bilhões em 2013, pico do ciclo virtuoso, atingindo quase 9% do PIB Nacional.

E nesta escala de crescimento, ano a ano, a Caixa veio promovendo sua melhor estratégia de campanha publicitária e mobilizando toda a cadeia da construção civil. Nos anos do auge, os objetivos foram mudando e culminando com megaeventos regionais disponibilizando à população cada vez mais empreendimentos e imóveis novos e usados de parceiros. Porém, imóveis na planta sempre foram o principal alvo, pois no fomento à produção eles têm se tornado a maior fonte de emprego e renda da cadeia da Construção Civil.

A mobilidade social verificada neste período, com a ascensão da classe C ao consumo e endividamento de longo prazo, também tinha a adesão de famílias e proponentes de cada vez menores faixas etárias.

Também caracterizou o sucesso da estratégia a mobilização do corpo funcional do Banco, que pouco terceirizava. Toda a organização do evento sempre foi feita com muito comprometimento por técnicos, equipes gerenciais e parceiros e o resultado sempre tem sido gratificante também para quem trabalha incansavelmente e comemora o final de cada ação anual como a principal de suas vidas. Isto, porque cada atendimento que se reverte em um financiamento ou negócio é um sonho realizado pelas famílias, predominantemente seus primeiros imóveis. Momento gratificante para todos.

E veio a crise politica que persiste desde 2014, culminando com grave crise econômica que derrubou a confiança de empreendedores e consumidores. O Feirão da Caixa, instituído no calendário nacional e comemorando 12 anos infelizmente não tem muito a comemorar nesta edição de 2016 e indica que muitas mudanças precisam acontecer na próxima edição, já que os volumes ofertados e comercializados vêm caindo ano a ano.

O Feirão de 2017 poderia, por exemplo, trazer como novidade uma nova fonte de recursos para o crédito imobiliário, uma nova Carta de Crédito, acessível em termos de taxa de juros, desindexada da inflação e atrelada a capitais de duration compatíveis com as três décadas que o consumidor do financiamento imobiliário já aceitou aderir.

Para o planejamento da sua décima terceira versão, a Caixa precisa considerar o cenário e o momento que passa o país e o fim da década de ouro do crédito imobiliário. Cenário este em que o Banco estatal, pode inclusive abrir seu capital, segundo algumas correntes defendem. Só não pode abrir mão da core competence que é o crédito imobiliário e sim aperfeiçoa-la e desenvolve-la mais ainda. Competência que se reflete nos resultados do balanço da Caixa, mostrando o percentual acima de 60% de crédito imobiliário na carteira total, além de deter cerca de 70% de participação no mercado de crédito imobiliário.

Em épocas de mudanças estruturantes como deveremos presenciar nos próximos meses, as boas iniciativas e as melhores competências precisam ser mantidas, valorizadas e aperfeiçoadas. A Caixa precisa continuar sendo o principal agente promotor da habitação e do crédito imobiliário, respondendo ao Estado Brasileiro e não ao Governo de plantão. Esta melhor competência da empresa precisa ser mantida. O Estado não precisa ter um banco para realizar operações commodities de bancos comerciais privados.

E que venham os futuros Feirões Caixa da Casa Própria, ano após ano, promovendo ou participando ativamente de outros ciclos virtuosos da Construção Civil e do Crédito Imobiliário.

Diretor da Habita’z, Marcos Fontes é professor de Economia da IBE-FGV especialista nas áreas de Finanças e Imóveis com ênfase em crédito imobiliário e construção civil.

Compartilhar::

Participe do GRUPO SEGS - PORTAL NACIONAL no FACEBOOK...: https://www.facebook.com/groups/portalnacional/

Separador
IIMPORTANTE.: Voce pode replicar este artigo. desde que respeite a Autoria integralmente e a Fonte.
 www.segs.com.br

Separador
No Segs, sempre todos tem seu direito de resposta, basta nos contatar que voce sera atendido. - Importante sobre Autoria ou Fonte..: - O Segs atua como intermediario na divulgacao de resumos de noticias (Clipping), atraves de materias, artigos, entrevistas e opinioes. - O conteudo aqui divulgado de forma gratuita, decorrem de informacoes advindas das fontes mencionadas, jamais cabera a responsabilidade pelo seu conteudo ao Segs, tudo que e divulgado e de exclusiva responsabilidade do autor e ou da fonte redatora. - "Acredito que a palavra existe para ser usada em favor do bem. E a inteligencia para nos permitir interpretar os fatos, sem paixao". (Autoria de Lucio Araujo da Cunha) - O Segs, jamais assumira responsabilidade pelo teor, exatidao ou veracidade do conteudo do material divulgado. pois trata-se de uma opiniao exclusiva do autor ou fonte mencionada. - Em caso de controversia, as partes elegem o Foro da Comarca de Santos-SP-Brasil, local oficial da empresa proprietaria do Segs e desde ja renunciam expressamente qualquer outro Foro, por mais privilegiado que seja. O Segs trata-se de uma Ferramenta totalmente automatizada e controlada por IP. - "Leia e use esta ferramenta, somente se concordar com todos os TERMOS E CONDICOES DE USO".
Separador

voltar ao topo

Compartilhar ou Seguir

Sobre nós::

Siga-nos::

Notícias::

Mais Itens::

SEGS NO SEU IDIOMA::
Portuguese English French German Italian Russian Spanish

Ao se cadastrar, você aceita todos os Termos e Condições de Uso do Segs.com.br que consta no rodapé de todas as páginas do SEGS.