Brasil, 27 de Setembro de 2016
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BP se recusa a revelar os riscos da exploração em águas na Austrália

A recusa da BP para revelar detalhes de seu plano de prospecção de petróleo na Grande Baía Australiana (GAB) a partir de outubro deste ano foi denunciada por grupos de investidores e ambientalistas dias antes de sua Assembleia Geral Anual marcada para 14 de abril.

A GAB é uma área de excepcional importância marinha no litoral do Sul e Oeste da Austrália, que abriga uma grande variedade de espécies ameaçadas e em perigo de extinção. Estudos científicos sugerem que 85% das espécies que lá vivem são exclusivas da GAB.

A BP não revelou seu Plano Ambiental para o projeto, que foi rejeitado pela Autoridade Nacional de Gestão Ambiental e Segurança de Petróleo Offshore da Austrália (NOPSEMA). As razões para esta rejeição também não foram divulgadas. A empresa também não revelou os locais exatos que serão usados, nem o cronograma para a perfuração. Esses dois fatores podem ter um efeito significativo sobre o risco e o impacto de um vazamento de óleo.

A falta de fornecimento dessas informações pela BP a seus acionistas e ao público em geral levou o grupo de investidores ShareAction a expressar sua preocupação de que este projeto incorra em um risco alto e em uma aposta que a BP não tem condições de fazer.

A falta de transparência é um dos numerosos riscos financeiros associados ao projeto, que são descritos em um briefing produzido pela ShareAction e The Wilderness Society. O briefing aponta os elevados custos de infraestrutura associados ao projeto, que levaram a uma estimativa de preço médio de break-even de US$ 104 por barril. A BP declarou publicamente que seu objetivo é que os projetos tenham um break-event de US$ 60 por barril.

O briefing também questiona a viabilidade do projeto à luz do acordo fechado na COP 21 para limitar o aumento nas temperaturas globais "bem abaixo de 2° C, com uma ambição de 1,5“ e o provável aumento na regulação que deve acompanhar esta meta. O relatório da BP contra a resolução dos acionistas sobre o risco climático, aprovado no ano passado, é fraco. A empresa não divulgou um plano de negócios para uma transição para 2° C e continua a prever cenários de demanda de 4-6° C.

Se forem extraídos e usados, os 9 bilhões de barris de óleo estimados na Grande Baía Australiana produziriam cerca de oito vezes as emissões anuais de gases de efeito estufa da Austrália. Isso levanta questões entre os investidores sobre o compromisso da BP com uma ação significativa no sentido de alinhar sua estratégia de negócios com um cenário de 2° C. O aumento proposto de 20% no salário de Bob Dudley, CEO da BP, sugere que os incentivos aos executivos estão alinhados com a perseguição de projetos de exploração de alto custo e risco, como o da Grande Baía Australiana.

Este mês marca o aniversário de seis anos do vazamento de petróleo Deepwater Horizon - o maior na história dos EUA, que custou à BP US$ 53 bilhões. Os paralelos entre o derramamento de 2010 e o projeto proposto para a GAB são significativos. Trata-se de outro projeto de exploração em águas profundas- o que significa condições de perfuração e extração desafiadoras e arriscadas. Tal como no Golfo do México, a GAB é economicamente dependente do turismo e pesca. Um vazamento de petróleo seria extremamente caro para a empresa. Mas a recusa da BP de divulgar o Plano Ambiental que deverá cobrir tais situações torna impossível para os investidores avaliar a capacidade da BP de lidar com outro vazamento.

Catherine Howarth, diretora executivo da ShareAction declarou:

"Ao avançar com a exploração na Grande Baía Australiana, a empresa parece surda à mudança no sentimento dos investidores sobre o risco climático na sequência do Acordo Paris. Em sua esmagadora maioria, os investidores da BP votaram no ano passado em favor de uma gestão mais inteligente de riscos ambientais dentro de sua estratégia empresarial. Estes planos de prospecção de petróleo na Grande Baía Australiana levantam uma grande bandeira vermelha para os investidores que já estão exigindo respostas sobre como a BP pode justificar o projeto. "

Juliet Phillips, Executiva de Campanhas da ShareAction declarou:

"A decisão da BP de ir em frente com esta controversa perfuração de alto custo e risco em águas profundas na Grande Baía Australiana deve ser desafiada pelos investidores. Ao se recusar a divulgar informações extremamente relevantes sobre os riscos associados com este projeto, a empresa está deixando de cumprir com sua responsabilidade em relação a seus acionistas. A BP simplesmente não pode se expor à perspectiva de um derramamento de petróleo comparável a Macondo em uma área de tamanha importância marinha.”

Professor Robert Bea, professor da Universidade de Califórnia-Berkeley e consultor para a comissão da Casa Branca, que investigou a explosão da plataforma Deepwater Horizon, declarou:

"Os documentos disponíveis não fornecem informações suficientes para determinar se a BP avaliou adequadamente os riscos com especial atenção para o perigo de perda de controle do poço e se providenciou as salvaguardas que asseguram que os riscos estão sendo e serão geridos para serem tão baixos quanto razoavelmente praticáveis. As exigências são claras. Cabe a BP provar, utilizando processos de gestão de riscos e avaliação validados ... que a exploração proposta dos recursos públicos da GAB atende a esses requisitos de risco ".

Lyndon Schneider, diretor de Campanhas do The Wilderness Society, declarou:

"A BP não tem o direito de colocar a Grande Baía Australiana em risco. É uma área ambientalmente intocada, um refúgio para uma infinidade de espécies raras, e dada a sua localização remota e padrões climáticos perigosos, é um local extremamente arriscado para a perfuração de petróleo em águas profundas. O projeto está sendo investigado pelo Senado australiano, mas a empresa não revelou nem seu Plano Ambiental nem as razões para sua rejeição pelas autoridades. Os investidores da BP devem estar cientes da oposição internacional significativa a esta proposta, bem como os vários riscos financeiros. "

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