Brasil, 25 de Setembro de 2016
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21 países provam que é possível ter crescimento econômico e redução de emissão de gases de efeito estufa

EUA, Alemanha, França, Espanha, Reino Unido, Portugal e mais 16 países mostram que é possível reduzir as emissões enquanto a economia cresce.

Uma análise feita pelo World Resources Institute - WRI (1) mostra que 21 países conseguiram manter crescimento econômico entre 2000 e 2014 enquanto, ao mesmo tempo, reduziam suas emissões dos gases de efeito estufa causadores do aquecimento global e das consequentes mudanças climáticas globais. (2)

Alguns exemplos colecionados por esta análise são eloquentes: entre 2000 e 2014 a economia francesa cresceu 16% enquanto o país reduziu suas emissões em 19%; o Reino Unido cresceu 20% enquanto suas emissões baixaram em 27%; a República Checa cresceu 40% enquanto suas emissões caíram em 14%; e os EUA cresceram 28% enquanto reduziram suas emissões em 6%.

A Agência Internacional de Energia (AIE) havia mostrado recentemente que as emissões globais se estabilizaram em 2014 e 2015, mesmo com crescimento econômico global sendo positivo (3). Porém, as informações da AIE mascaravam uma forte variação regional. O detalhamento feito pelo WRI mostra que a estabilização das emissões mostrada pela AIE para os anos de 2014 e 2015 é um resultado de fenômenos distintos: enquanto as emissões aumentaram na maioria dos países, reduziram-se em vários outros.

A maioria dos países que cortaram suas emissões também abriga economias em crescimento, o que significa que, para um punhado de nações, está em andamento um processo de dissociação - ou desacoplamento - entre emissões e crescimento econômico. Estas informações corroboram a afirmação de David Cameron, primeiro-ministro do Reino Unido, sobre não haver necessidade de se fazer uma opção entre crescimento econômico e redução das emissões, sentimento também expresso por Barack Obama, presidente dos EUA.

Nate Aden, pesquisador do WRI e autor da análise, afirma que os resultados mostraram uma “história emergente e positiva de transformação”. Aden acrescenta que analisou uma série de 14 anos “para garantir que a dissociação observada é sustentada e significativa”.

Segundo a análise do WRI, os EUA alcançaram a maior redução nas emissões de CO2, mas esta é, em grande parte, devida ao grande volume inicial de emissões deste gás no início do período. A Dinamarca alcançou a maior redução proporcional de suas emissões iniciais, chegando a 30% abaixo dos níveis de CO2 que emitia em 2000, "embora as 17 milhões de toneladas de CO2 da Dinamarca podem parecer uma gota no balde global", acrescenta Aden.

Ao longo da história, as emissões dos gases de efeito estufa têm aumentado junto com o desenvolvimento econômico. O aumento da renda nos países mais ricos sempre esteve associado a mais acesso à eletricidade e aos transportes. Em muitos casos, o desenvolvimento econômico tem sido associado a um aumento da atividade industrial intensiva em carbono.

Isto tem provocado debates apaixonados, sendo que alguns analistas, como a escritora Naomi Klein, argumentam contra certos tipos de indústria e crescimento econômico para que se consigam reduzir emissões. Mas, em um mundo onde 836 milhões de pessoas seguem na pobreza extrema enquanto, nos países ricos, as pessoas desfrutam de todos os benefícios de uma grande economia, encolher a economia em nome da mudança climática é uma política de difícil aceitação.

A análise do WRI mostra que não é necessário reduzir a economia para conseguirmos reduzir as emissões. A análise aumenta também a esperança de solução da crise climática, o que não acontecia com os dados da AIE. Afinal, a ciência climática e a ONU têm afirmado recorrentemente que a estabilização das emissões globais não é suficiente para salvar o clima de nosso planeta. Se quisermos limitar o aumento da temperatura global bem abaixo 2oC, e de preferência abaixo de 1,5oC, a ONU e a ciência climática alertam para a necessidade de as emissões líquidas caírem a zero na segunda metade deste século. "Agora, o objetivo destes países é manter e acelerar essa dissociação entre crescimento econômico e emissões", completa Aden.

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