Brasil, 1 de Outubro de 2016
A- A A+

TOKIO MARINE SEGURADORA

A bruxa ainda está solta

Por Claudio Spadotto, membro do Conselho Científico para Agricultura Sustentável (CCAS) e gerente geral da Embrapa Gestão Territorial.

Um fazendeiro, considerado rico, procurou um amigo para falar-lhe de um assunto delicado. “Estou precisando de dinheiro e confio na nossa velha amizade, na certeza de que você vai me ajudar”, disse o fazendeiro. O amigo se prontificou a emprestar uma certa quantia, imaginando tratar-se de R$ 10 mil ou R$ 20 mil. “De quanto você precisa?”, indagou, ao que o fazendeiro respondeu, cabeça baixa: “De uns R$ 200. É pra fazer a feira semanal lá em casa.”

Esse trecho foi publicado no jornal Gazeta Mercantil, em 12 de abril de 1995 e retrata a decadência das fazendas de cacau no Sul da Bahia na década de 1990. Hoje a produção brasileira de amêndoas de cacau não é suficiente para atender a demanda interna.

A chegada (ou introdução intencional) da doença conhecida como “vassoura-de-bruxa” foi um duríssimo golpe na já enfraquecida economia cacaueira nas cercanias de Ilhéus na Bahia, por conta dos baixos preços no mercado internacional e das poucas chuvas e sol escaldante na região. Como a vassoura-de-bruxa, causada por um fungo, apodrece os frutos, a safra despencou, a rentabilidade minguou, os fazendeiros se afundaram em dívidas, a arrecadação caiu e milhares de trabalhadores e seus familiares ficaram sem seus sustentos. Um gravíssimo problema econômico e social se instalou.

Ano passado três novas pragas agrícolas foram encontradas nas nossas lavouras; 35 nos últimos dez anos. Pode-se dizer que outras tantas estão a caminho. São chamadas pragas quarentenárias, algumas ausentes do País, outras já estão por aqui, mas em regiões delimitadas. Estima-se que 600 espécies dessas pragas (insetos, ácaros, fungos, bactérias, plantas...) têm potencial de causar danos significativos à agricultura brasileira. Delas, 150 espécies já ocorrem em pelo menos um país da América do Sul e podem entrar no Brasil de diferentes maneiras.

O Ministério da Agricultura tem adotado medidas para reforçar a prevenção da entrada e do estabelecimento de pragas quarentenárias. Ações de fiscalização e controle em portos, aeroportos e postos de fronteira na inspeção de produtos agrícolas que caracterizem risco compõem os Planos de Contingência, com medidas preventivas e emergenciais para erradicação de focos e contenção da praga.

Quais pragas estão por vir? Por onde podem ingressar e se estabelecer nas nossas lavouras?

Num país como o Brasil, com vasto território, extensas fronteiras e intensas relações comerciais com outros países, não deveríamos abrir mão da identificação e caracterização das possíveis vias de acesso de pragas, juntamente com a localização das lavouras ameaçadas.

Existem regiões do Brasil com grande produção agrícola, onde lavouras ameaçadas por pragas ainda ausentes estão próximas a interseções de rodovias, ferrovias ou hidrovias na fronteira com países vizinhos, como na divisa do Mato Grosso com a Bolívia. Há regiões com necessidade do aumento do número de postos de controle e intensificação das medidas de vigilância fitossanitária, como nas divisas do Mato Grosso do Sul com o Paraguai e com a Bolívia. Outra situação é quando ocorre pelo menos uma das culturas ameaçadas com grande produção, longe da faixa de fronteira, mas em região com porto ou aeroporto próximo, como na região oeste da Bahia e no centro-sul do Pará.

A Embrapa, na sua unidade de Gestão Territorial, possui uma base de dados georreferenciados que permite analisar as prováveis vias de ingresso de pragas no País e por onde a disseminação é facilitada, como as rodovias federais e estaduais. Dessa forma, os postos do Ministério da Agricultura e postos de vigilância fitossanitária estaduais podem atuar de forma conjunta e coordenada na prevenção da entrada ou do estabelecimento de pragas quarentenárias.

Já foram identificadas 364 vias de possível ingresso terrestre de pragas vindas de países vizinhos, em interseções da fronteira com estradas e rodovias e 26 locais na região de fronteira passíveis de ingresso de pragas por meio de embarcações. O grande número de aeródromos (são 519 aeroportos e campos de pouso e decolagem), localizados na faixa de fronteira, majoritariamente de propriedade privada, alerta para a necessidade de reforço na vigilância e controle das possíveis entradas de pragas por transporte aéreo.

Dessa forma, poderemos aperfeiçoar nossa capacidade de antever e agir pró-ativamente frente às várias ameaças de pragas quarentenárias, racionalizando nossa vigilância sanitária vegetal.

Obs.: Temos foto do autor, se precisar.

Sobre o CCAS

O Conselho Científico para Agricultura Sustentável (CCAS) é uma organização da Sociedade Civil, criada em 15 de abril de 2011, com domicilio, sede e foro no município de São Paulo-SP, com o objetivo precípuo de discutir temas relacionados à sustentabilidade da agricultura e se posicionar, de maneira clara, sobre o assunto.

O CCAS é uma entidade privada, de natureza associativa, sem fins econômicos, pautando suas ações na imparcialidade, ética e transparência, sempre valorizando o conhecimento científico.

Os associados do CCAS são profissionais de diferentes formações e áreas de atuação, tanto na área pública quanto privada, que comungam o objetivo comum de pugnar pela sustentabilidade da agricultura brasileira. São profissionais que se destacam por suas atividades técnico-científicas e que se dispõem a apresentar fatos concretos, lastreados em verdades científicas, para comprovar a sustentabilidade das atividades agrícolas.

A agricultura, apesar da sua importância fundamental para o país e para cada cidadão, tem sua reputação e imagem em construção, alternando percepções positivas e negativas, não condizentes com a realidade. É preciso que professores, pesquisadores e especialistas no tema apresentem e discutam suas teses, estudos e opiniões, para melhor informação da sociedade. É importante que todo o conhecimento acumulado nas Universidades e Instituições de Pesquisa seja colocado à disposição da população, para que a realidade da agricultura, em especial seu caráter de sustentabilidade, transpareça. Mais informações no website: http://agriculturasustentavel.org.br/. Acompanhe também o CCAS no Facebook: http://www.facebook.com/agriculturasustentavel

Compartilhar::

Participe do GRUPO SEGS - PORTAL NACIONAL no FACEBOOK...: https://www.facebook.com/groups/portalnacional/

Separador
IIMPORTANTE.: Voce pode replicar este artigo. desde que respeite a Autoria integralmente e a Fonte.
 www.segs.com.br

Separador
No Segs, sempre todos tem seu direito de resposta, basta nos contatar que voce sera atendido. - Importante sobre Autoria ou Fonte..: - O Segs atua como intermediario na divulgacao de resumos de noticias (Clipping), atraves de materias, artigos, entrevistas e opinioes. - O conteudo aqui divulgado de forma gratuita, decorrem de informacoes advindas das fontes mencionadas, jamais cabera a responsabilidade pelo seu conteudo ao Segs, tudo que e divulgado e de exclusiva responsabilidade do autor e ou da fonte redatora. - "Acredito que a palavra existe para ser usada em favor do bem. E a inteligencia para nos permitir interpretar os fatos, sem paixao". (Autoria de Lucio Araujo da Cunha) - O Segs, jamais assumira responsabilidade pelo teor, exatidao ou veracidade do conteudo do material divulgado. pois trata-se de uma opiniao exclusiva do autor ou fonte mencionada. - Em caso de controversia, as partes elegem o Foro da Comarca de Santos-SP-Brasil, local oficial da empresa proprietaria do Segs e desde ja renunciam expressamente qualquer outro Foro, por mais privilegiado que seja. O Segs trata-se de uma Ferramenta totalmente automatizada e controlada por IP. - "Leia e use esta ferramenta, somente se concordar com todos os TERMOS E CONDICOES DE USO".
Separador

voltar ao topo

Compartilhar ou Seguir

Sobre nós::

Siga-nos::

Notícias::

Mais Itens::

SEGS NO SEU IDIOMA::
Portuguese English French German Italian Russian Spanish