Brasil, 23 de Fevereiro de 2018

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Ainda a fina pele do planeta

  • Escrito por  Thaís Frausto
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Por Antonio Roque Dechen, Presidente do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS), Professor Titular do Departamento de Ciência do Solo da ESALQ/USP, Presidente da Fundação Agrisus e Membro do Conselho do Agronegócio (COSAG-FIESP); e Ondino Cleante Bataglia, Engenheiro Agrônomo formado na ESALQ/USP, Secretário Executivo da Fundação Agrisus e Diretor Presidente da empresa Conplant Consultoria

No artigo anterior (A Fina Pele do Planta), mostramos o significado da analogia entre a pele dos animais e o solo cultivado que alimenta a humanidade, os animais e as plantas que vivem no planeta Terra.

Devemos considerar que a produção de alimentos é extremamente dependente do cultivo desses solos, por isso cada comunidade ou país deve preservar esse bem da natureza com todo cuidado. O país, na ordem geopolítica vigente, é a unidade responsável por essa questão, muito embora seja cada vez maior a tentativa de interferência das organizações internacionais.

Os engenheiros agrônomos são os profissionais mais intimamente relacionados com essa atividade humana, pois são, afinal, responsáveis por desenvolver tecnologias que permitam conservar e melhorar os solos onde vivemos. Nos últimos tempos houve um grande engajamento de toda a sociedade por uma conservação mais ampla do ambiente que deve ser preservado, mas nem sempre os conceitos são harmônicos, pois os chamados ambientalistas pouco se importam aparentemente com a necessidade da produção de alimentos.

A conservação e melhoria dos solos cultivados para garantir a sustentabilidade para as próximas gerações é o foco da Fundação Agrisus, que apoia a educação como forma mais ampla possível de levar ao agricultor as melhores técnicas de preservação e melhoria da fertilidade dos solos sob os aspectos da química, física e biologia.

Embora se dedique totalmente a seus objetivos, a capacidade da Fundação é limitada diante da enorme necessidade de desenvolvimento tecnológico para melhoria e conservação dos solos. O progresso conseguido no passado quando as instituições públicas tinham equipes capacitadas ainda sustenta o uso atual dos solos. Todavia o que se percebe é um esvaziamento das instituições de pesquisa, ficando mais uma vez evidente que outras instituições públicas, como os órgãos de defesa da agricultura, assumem o papel de policiar o uso dos solos pelos agricultores, enquanto a pesquisa e a extensão rural simplesmente estão deixando de ser uma prioridade nos estados brasileiros

O cultivo de solos em áreas favoráveis quanto à topografia, aliado ao sistema de plantio direto, mostra que ainda é possível conservar bem os solos de vastas regiões do país. Isso se verifica também em regiões em que a tradição do uso do plantio direto pela maior facilidade de produção de biomassa no sul do país vem se consolidando e atualmente incorporando novas possibilidades, como os sistemas de ILP - Integração Lavoura Pecuária, onde a fase que seria descoberta passa a ter um componente essencial de conservação, que é a pastagem.

Solos cultivados em regiões mais problemáticas, principalmente os arenosos, por outro lado são uma preocupação constante sob o ponto de vista local nas propriedades rurais e, em especial, nas regiões limitadas por microbacias e bacias hidrográficas. É o caso específico do cultivo de solos arenosos por canaviais onde ainda ocorre uma excessiva movimentação da fina pele do planeta. São tecnologias que sempre foram usadas em solos argilosos e que, simplesmente, foram transferidas para outras regiões que exigiriam cuidados diferenciados. A consequência é um desastre de erosões promovendo todo tipo de assoreamentos e perda de produção hídrica nos antigos mananciais.

Fica a grande questão. Diante da incapacidade do setor público ou de sua falta de visão diante da sustentabilidade da produção de alimentos, quem deve assumir o papel de criar novas tecnologias e ensinar seu uso para os agricultores? Vemos que um grande esforço precisa ser feito e, sem dúvida, fundações como a Agrisus podem muito colaborar no direcionamento e apoio a essa discussão.

Os engenheiros agrônomos são os profissionais que precisam liderar movimentos deste tipo em benefício das gerações futuras no país. O futuro da humanidade depende da conservação da fina pele do planeta, todos já ouvimos: conservar os solos é preservar a vida.

Sobre o CCAS

O Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS) é uma organização da Sociedade Civil, criada em 15 de abril de 2011, com domicilio, sede e foro no município de São Paulo-SP, com o objetivo precípuo de discutir temas relacionados à sustentabilidade da agricultura e se posicionar, de maneira clara, sobre o assunto.

O CCAS é uma entidade privada, de natureza associativa, sem fins econômicos, pautando suas ações na imparcialidade, ética e transparência, sempre valorizando o conhecimento científico.

Os associados do CCAS são profissionais de diferentes formações e áreas de atuação, tanto na área pública quanto privada, que comungam o objetivo comum de pugnar pela sustentabilidade da agricultura brasileira. São profissionais que se destacam por suas atividades técnico-científicas e que se dispõem a apresentar fatos concretos, lastreados em verdades científicas, para comprovar a sustentabilidade das atividades agrícolas.

A agricultura, apesar da sua importância fundamental para o país e para cada cidadão, tem sua reputação e imagem em construção, alternando percepções positivas e negativas, não condizentes com a realidade. É preciso que professores, pesquisadores e especialistas no tema apresentem e discutam suas teses, estudos e opiniões, para melhor informação da sociedade. É importante que todo o conhecimento acumulado nas Universidades e Instituições de Pesquisa seja colocado à disposição da população, para que a realidade da agricultura, em especial seu caráter de sustentabilidade, transpareça. Mais informações no website: http://agriculturasustentavel.org.br/. Acompanhe também o CCAS no Facebook: http://www.facebook.com/agriculturasustentavel.

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