Brasil, 25 de Setembro de 2016
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Ataques sem fundamentação à aviação agrícola colocam em risco a agricultura brasileira

Por Ulisses R. Antuniassi; Professor Titular do Departamento de Engenharia Rural da Faculdade de Ciências Agronômicas UNESP – Campus de Botucatu/SP; Escreveu o artigo a convite do Conselho Científico para Agricultura Sustentável (CCAS).

A prática da aviação agrícola tem sido fundamental na manutenção da competitividade brasileira na produção de alimentos, pois é econômica, eficiente e permite o menor uso de defensivos. Entretanto, setores da sociedade urbana têm criticado essa operação, inclusive com sugestões de seu banimento. Entre mitos e estereótipos, alguns tem apresentado uma visão distorcida do cotidiano da aviação agrícola, posicionando esta ferramenta de trabalho como um mal que deve ser combatido a qualquer custo.

Há constante menção à propalada “proibição” das aplicações aéreas na Europa, de modo que havendo a tal “proibição” na Europa, infere-se que o mesmo deveria ser feito no Brasil. Ora, é de fundamental importância o entendimento de que na Europa não há condições técnicas para o uso da aplicação aérea em larga escala, seja pela estrutura fundiária (pequenas propriedades) ou pela intensa urbanização das zonas rurais, o que impede que as aplicações sejam feitas com total respeito às faixas de segurança que impedem a contaminação de áreas vizinhas às aplicações. Em suma, na Europa as aplicações aéreas não são realizadas primariamente por que não são tecnicamente viáveis naquela região. Por outro lado, não é dada ciência à opinião pública de que a aplicação aérea é prática comum, utilizada de maneira consciente, responsável e segura em diversos países onde a estrutura fundiária a torna viável, como os Estados Unidos, Canadá, Austrália, Argentina e Brasil, sendo estes os grandes celeiros que alimentam a crescente população mundial.

É interessante ressaltar que, geralmente se dá amplo destaque a opiniões de técnicos e cientistas de segmentos não associados à produção agrícola, ou agronomia, e que não estão de maneira alguma em sintonia com a ciência agrícola. Assim, opiniões sem embasamento técnico-científico ou pior, baseadas em falsa ciência, sobre a aviação agrícola e as aplicações aéreas de produtos são propaladas como verdades absolutas. É interessante um paralelo com a Dengue e H1N1, situação que, sempre, são consultados e entrevistados médicos. Porque não ocorre o mesmo (no caso agrônomos e universidades agrícolas) quando se trata de produtos para agricultura?

Neste contexto, é importante reforçar que a aviação agrícola é uma ferramenta indispensável para a produção de alimentos, fibras e energia, notadamente nas cadeias produtivas relacionadas às principais culturas que dão suporte ao PIB brasileiro, como a soja, a cana-de-açúcar, o algodão, o milho, o arroz e a citricultura, além de outras frutíferas. A aviação agrícola no Brasil é responsável por 25 % do total de aplicações realizadas, correspondendo a mais de 70 milhões de hectares aplicados ao ano no país. Esta média considera o conjunto das principais culturas que se utilizam das aplicações aéreas, mas o percentual de participação da aplicação aérea varia significativamente de acordo com a cultura em questão. O maior percentual de participação ocorre na cultura do algodão, com 35,7% das aplicações por via aérea. Outra participação importante se dá na cultura do arroz, onde um terço das aplicações (33,3%) são de responsabilidade da aviação agrícola. No que se refere à quantidade de área tratada, a cultura da soja é a mais significativa, representando 41 milhões de hectares tratados por via aérea anualmente, totalizando 56,8% da área aplicada anualmente pela aviação agrícola brasileira. Há situações onde simplesmente não há outras opções para a realização dos tratamentos fitossanitários.

Por fim, é importante ressaltar que a aviação agrícola é usada dentro de preceitos, regras e restrições aceitas mundialmente. Se a regulamentação não for seguida, como em diversos outros setores, podem ocorrer problemas. Nestes casos, certamente a responsabilidade há que ser apurada, e se for caso, providências legais devem ser tomadas.

Sobre o CCAS

O Conselho Científico para Agricultura Sustentável (CCAS) é uma organização da Sociedade Civil, criada em 15 de abril de 2011, com domicilio, sede e foro no município de São Paulo-SP, com o objetivo precípuo de discutir temas relacionados à sustentabilidade da agricultura e se posicionar, de maneira clara, sobre o assunto.

O CCAS é uma entidade privada, de natureza associativa, sem fins econômicos, pautando suas ações na imparcialidade, ética e transparência, sempre valorizando o conhecimento científico.

Os associados do CCAS são profissionais de diferentes formações e áreas de atuação, tanto na área pública quanto privada, que comungam o objetivo comum de pugnar pela sustentabilidade da agricultura brasileira. São profissionais que se destacam por suas atividades técnico-científicas e que se dispõem a apresentar fatos concretos, lastreados em verdades científicas, para comprovar a sustentabilidade das atividades agrícolas.

A agricultura, apesar da sua importância fundamental para o país e para cada cidadão, tem sua reputação e imagem em construção, alternando percepções positivas e negativas, não condizentes com a realidade. É preciso que professores, pesquisadores e especialistas no tema apresentem e discutam suas teses, estudos e opiniões, para melhor informação da sociedade. É importante que todo o conhecimento acumulado nas Universidades e Instituições de Pesquisa seja colocado à disposição da população, para que a realidade da agricultura, em especial seu caráter de sustentabilidade, transpareça. Mais informações no website: http://agriculturasustentavel.org.br/. Acompanhe também o CCAS no Facebook: http://www.facebook.com/agriculturasustentavel

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