
MERCADO BRASILEIRO DE SEGUROS
I SEMESTRE DE 2006
FONTE: SEGS.COM.BR: LUIZ ROBERTO CASTIGLIONE
MERCADO BRASILEIRO DE SEGUROS
I SEMESTRE DE 2006

LUIZ ROBERTO CASTIGLIONE
Inserindo os resultados da ANS referente à modalidade de Seguro Saúde o Mercado Brasileiro de Seguros encerrou o I Semestre de 2006 com um Lucro Líquido não Consolidado de R$ 4,1 bilhões contra R$ 3,6 bilhões do ano passado, um crescimento nominal de 16% (bem acima da inflação média do período).
Como já foi comentado na matéria onde se abordou somente os números divulgados pela SUSEP, o Resultado de Coligadas e Controladas no ano passado se encontrava influenciado por reestruturações acionárias, fazendo com que lucros embutidos e extraordinários fossem reconhecidos.
Excluindo o Resultado de Coligadas e Controladas o Resultado Líquido atingiu a R$ 2,0 bilhões contra R$ 1,2 bilhão de 2005, um crescimento nominal de 70%. Podemos notar que os números da operação melhoram sobremaneira, razão pela qual o Mercado conseguiu um desempenho bem mais confortável em 2006.
Valores em R$ bilhões

A taxa média de retorno do Patrimônio Líquido pode ser assim decomposta:
1- A Taxa Média Global foi equivalente a uma aplicação com remuneração anual de 25,63% contra 28,46% do mesmo período do ano anterior;
2- A contribuição marginal do Resultado Operacional sobre o Patrimônio correspondeu a uma rentabilidade anual equivalente a 8,34% ao ano contra 4,07% de 2005;
3- Já a contribuição do Resultado do Patrimônio (onde se inclui o Resultado de Coligadas e Controladas) correspondeu a uma rentabilidade equivalente a 16,63% ao ano contra 23,93% do ano passado.
Com isso fica claro que a performance da Operação foi decisiva para que o Mercado mantivesse níveis de rentabilidade elevados.
No que se refere ao Resultado Operacional, vale destacar:
a) Setor de Seguros:
O Setor de Seguros contribuiu com uma Margem de R$ 2,7 bilhões (15,2% dos prêmios ganhos) contra R$ 1,7 bilhão (11,2% dos prêmios ganhos), determinando um crescimento nominal de 55%. Essa melhoria adveio da redução da sinistralidade retida de 67,9% dos prêmios ganhos para 63,3% em 2006.
Os custos de comercialização passaram a representar 17,2% dos prêmios ganhos contra 16,0% do ano anterior. Esse acréscimo foi quase que totalmente absorvido pela redução das Outras Despesas Operacionais de 5,0% dos prêmios ganhos para 4,3% no período em foco.
Esse desempenho adveio, em quase sua totalidade, das modalidades de Automóvel e Seguro Saúde. Na primeira a Margem de Contribuição passou de 6,4% dos prêmios ganhos para 12,3% em 2006. Já na segunda temos uma Margem de Contribuição positiva equivalente a 7,3% dos prêmios ganhos contra uma negativa de (-) 5,1% em 2005.
% Prêmios ganhos
|
|
Total |
Auto |
Saúde |
Outros |
|
2006 |
|
|
|
|
|
Prêmios Emitidos |
21.767 |
6.654 |
4.417 |
10.696 |
|
Prêmios Ganhos |
100% |
100% |
100% |
100% |
|
Sinistralidade Retida |
63% |
64% |
85% |
50% |
|
Comercialização |
17% |
19% |
5% |
23% |
|
Margem de Contribuição |
15% |
12% |
7% |
22% |
|
2005 |
|
|
|
|
|
Prêmios Emitidos |
18.950 |
5.787 |
4.020 |
9.143 |
|
Prêmios Ganhos |
100% |
100% |
100% |
100% |
|
Sinistralidade Retida |
68% |
70% |
98% |
50% |
|
Comercialização |
16% |
19% |
5% |
20% |
|
Margem de Contribuição |
11% |
6% |
- 5% |
24% |
O Mercado passou a se concentrar em duas modalidades que no momento estão apresentando números favoráveis. Sabemos que são modalidades de grande volatilidade, sejam técnicas ou de cunho sócio-político.
Automóvel e Saúde corresponderam a 51% das vendas globais (contra 52% de 2005) contribuindo com 39% da Margem de Contribuição do Mercado (contra 9% em 2005). Com isso absorveram a queda dos Demais Ramos (reduções das margens em Vida em Grupo e Prestamista), que declinaram 2,0 pontos percentuais (comercialização).
b) Setor de Previdência:
O Setor de Previdência Privada apresentou uma Margem de Contribuição de R$ 287 milhões (9% das rendas e contribuições) contra R$ 46 milhões (1% das rendas e contribuições), um crescimento nominal de 523%. O volume de Rendas e Contribuições declinou 6,1%, fazendo com que os carregamentos embutidos surgissem de forma positiva vis a vis aos benefícios e resgates. Vale lembrar que não se imputou o Resultado Financeiro oriundo das Provisões Técnicas.
c) Setor VGBL:
Esse setor apresentou um crescimento de vendas de 39%, sendo o responsável pelo crescimento do mercado a níveis superiores aos esperados. Não obstante e em função da característica híbrida do produto a sua Margem de Contribuição foi negativa em R$ 154 milhões contra R$ 66 milhões de 2005, um agravamento de 132%.
A Margem de Contribuição Global alcançou a cifra de R$ 2,8 bilhões (14% dos prêmios ganhos + rendas e contribuições retidas) contra R$ 1,7 bilhão (9% dos prêmios ganhos + renda e contribuições retidas), um crescimento nominal de 64%.
Os custos administrativos representaram 13% dos prêmios ganhos + rendas e contribuições retidas em ambos os períodos. Com uma Margem de Contribuição mais robusta e uma estabilidade dos custos fixos o Resultado Industrial foi positivo em R$ 19 milhões contra um Prejuízo de R$ 835 milhões em 2005.
Adicionando-se o Resultado Financeiro da Operação (9,9% dos prêmios ganhos + rendas e contribuições retidas contra 8,5% de 2005), o Resultado Operacional atingiu a R$ 2,1 bilhão (10% dos prêmios ganhos + rendas e contribuições retidas) contra R$ 776 milhões (4% dos prêmios ganhos + rendas e contribuições retidas), um crescimento nominal de 170%.
% Prêmios Ganhos

Como podemos observar as duas modalidades problemáticas no passado agora são as responsáveis pela melhoria operacional e de resultados no Mercado.
É uma situação bastante inusitada e até mesmo com algum desconforto, uma vez que a volatilidade delas é grande, em especial de cunho sócio-político para a do Seguro Saúde.
Vamos ver no II Semestre. Se tudo for mantido com essas tendências o Mercado poderá apresentar o melhor resultado dos últimos anos.
Luiz Roberto Castiglione
Membro da ANSP e do Instituto Roncarati de Seguros.
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